História do Boqueirão: da antiga fazenda a um dos grandes bairros de Curitiba

A história do Boqueirão revela como uma extensa área rural, marcada por banhados, criação de animais e caminhos difíceis, transformou-se em um dos bairros mais conhecidos e movimentados de Curitiba.

Quem percorre atualmente a Avenida Marechal Floriano Peixoto encontra comércio, transporte coletivo, escolas, serviços públicos e uma paisagem completamente urbana.

É difícil imaginar que grande parte dessa região já pertenceu a uma única propriedade rural.

A antiga Fazenda Boqueirão ocupava uma área enorme.

Seus limites alcançavam territórios que hoje pertencem não apenas ao Boqueirão, mas também ao Hauer, Xaxim, Alto Boqueirão e outras áreas próximas.

A transformação levou décadas.

Primeiro vieram as divisões das terras.

Depois os loteamentos.

Imigrantes chegaram.

A produção agrícola e leiteira ganhou importância.

Ruas foram abertas.

A população aumentou.

E antigos caminhos cercados por áreas alagadas acabaram dando lugar a uma das principais centralidades da região sul de Curitiba.

O Boqueirão já aparecia em registros do século XIX

Para encontrar as origens documentadas da região, precisamos voltar a 1856.

Naquele período, Curitiba possuía dimensões muito menores do que atualmente.

O Boqueirão estava distante do núcleo urbano

A região possuía características predominantemente rurais.

Grandes propriedades ocupavam o território.

A infraestrutura era limitada.

Uma dessas propriedades era a Fazenda Boqueirão

Ela pertencia ao coronel Manoel Antonio Ferreira e sua família.

A propriedade possuía quase mil alqueires.

Era uma dimensão muito superior ao território ocupado atualmente pelo bairro que herdou seu nome.

A antiga fazenda ultrapassava os limites do bairro atual

Quando falamos em Fazenda Boqueirão, não devemos imaginar apenas o atual Boqueirão.

A propriedade alcançava uma área muito maior.

Partes de vários bairros atuais estavam dentro dela

Boqueirão.

Alto Boqueirão.

Xaxim.

Hauer.

Além de áreas que posteriormente seriam incorporadas a outras divisões territoriais.

Isso mostra como o mapa urbano mudou

Os bairros que hoje parecem territórios independentes nasceram de divisões realizadas ao longo do tempo.

Antes das ruas e dos limites administrativos atuais, existiam propriedades rurais muito maiores.

O território era marcado por água e banhados

Uma característica importante da antiga Fazenda Boqueirão era a presença de terrenos úmidos.

A região possuía extensas áreas de banhado.

Essa condição influenciava os deslocamentos

Abrir caminhos era difícil.

A chuva podia tornar determinados percursos ainda mais complicados.

A ocupação também precisava lidar com o terreno

Construir e dividir propriedades em uma região com áreas alagadas exigia adaptações.

Essa característica geográfica acompanharia o desenvolvimento do bairro durante muito tempo.

De onde surgiu o nome Boqueirão?

Existem registros que associam a denominação a uma característica do próprio terreno.

Segundo relatos preservados na memória local, existia uma grande depressão ou cova na região.

Os moradores chamavam o local de “boqueirão”

A palavra acabou se tornando referência territorial.

Com o tempo, identificou a fazenda.

Depois passou a identificar a região.

Finalmente tornou-se o nome oficial do bairro

Esse é um processo bastante comum na formação das cidades.

Uma característica geográfica vira referência.

A referência vira endereço.

E o endereço atravessa gerações.

A Fazenda Boqueirão tinha intensa atividade rural

A propriedade não era apenas uma grande extensão vazia.

Ali eram desenvolvidas atividades econômicas.

A criação de animais tinha importância

Gado ocupava parte das terras.

Cavalos também estavam presentes.

A extração de madeira era outra atividade

A paisagem oferecia recursos utilizados pelos proprietários e moradores.

Era uma economia muito diferente daquela que encontramos atualmente no bairro.

O comércio urbano ainda estava distante.

A morte do proprietário iniciou novas divisões

Com o passar do tempo, a Fazenda Boqueirão foi repartida entre herdeiros.

Grandes propriedades frequentemente mudam completamente quando passam de uma geração para outra.

Cada divisão cria novas possibilidades

Uma parte pode permanecer rural.

Outra pode ser vendida.

Outra pode ser novamente subdividida.

Foi assim que a estrutura original começou a desaparecer

A fazenda que durante décadas funcionou como uma grande unidade territorial entrou em uma nova fase.

O caminho para o futuro loteamento começava a ser aberto.

Novos proprietários apareceram no início do século XX

As terras passaram por diferentes mãos.

Entre os nomes ligados a essa etapa estão integrantes das famílias Ferreira do Amaral e Gutierrez.

A região começava a ser observada de outra maneira

Curitiba crescia.

Áreas anteriormente consideradas distantes começavam a despertar interesse.

A terra podia deixar de ser apenas fazenda

Ela também podia se transformar em lotes.

Essa mudança de perspectiva foi fundamental para o nascimento do Boqueirão urbano.

Em 1933 nasceu a Companhia Territorial Boqueirão

Uma etapa decisiva aconteceu quando foi criada a Companhia Territorial Boqueirão.

A empresa tinha como objetivo organizar a divisão e comercialização das antigas terras.

A enorme propriedade começou a ser fragmentada

Terrenos foram demarcados.

Novos compradores puderam adquirir lotes.

O desenho de um futuro bairro começou a aparecer

Ainda existiam enormes dificuldades.

Água.

Banhados.

Falta de acesso.

Pouca infraestrutura.

Mas o território começava a adquirir uma organização urbana.

Dividir uma fazenda não significa criar imediatamente um bairro

No papel, é possível desenhar ruas e lotes rapidamente.

Na prática, transformar esse desenho em cidade exige muito mais.

É preciso chegar aos terrenos

Estradas precisam existir.

Pontes podem ser necessárias.

Drenagem precisa ser considerada.

Moradores precisam construir

Depois vêm comércio e serviços.

O processo pode levar décadas.

Foi exatamente isso que aconteceu no Boqueirão.

Milhares de terrenos mudaram o futuro da região

A antiga Fazenda Boqueirão acabou sendo dividida em milhares de lotes.

A escala desse parcelamento mostra o tamanho da transformação planejada.

Onde antes havia uma grande propriedade surgiriam milhares de endereços

Cada lote representava a possibilidade de uma nova casa.

Uma chácara.

Uma atividade econômica.

A população poderia crescer de maneira completamente diferente

A estrutura fundiária que havia caracterizado o século XIX começava definitivamente a desaparecer.

O traçado do loteamento deixou uma curiosidade no mapa

Uma das características mais curiosas do Boqueirão permanece visível até hoje.

Quando algumas ruas são observadas de cima, seu desenho lembra a Bandeira do Brasil.

O traçado vem do antigo loteamento

Ruas formam figuras semelhantes a um retângulo e a um losango.

Entre elas estão Paulo Setúbal, Cezinando Dias Paredes, Irmã Lúcia Roland e Maestro Carlos Frank.

É uma marca urbana que sobreviveu ao crescimento

Casas mudaram.

O comércio cresceu.

As ruas foram pavimentadas.

Mas parte do desenho original permaneceu praticamente preservada.

Os menonitas acrescentaram um novo capítulo

A década de 1930 também foi marcada pela chegada de famílias menonitas à região.

Elas se estabeleceram em pequenas chácaras.

A agricultura fazia parte da rotina

Mas uma atividade se tornaria especialmente importante.

A produção de leite.

O Boqueirão ganhou uma identidade ligada à pecuária leiteira

Durante um período, essa atividade teve grande importância para a economia local.

A região passou a ser associada a produtores que abasteciam Curitiba.

Quem eram os menonitas?

Os menonitas formam uma comunidade cristã cuja história europeia remonta ao período da Reforma.

Diversos grupos migraram ao longo dos séculos.

Parte dessas famílias chegou ao Brasil

Algumas passaram por Santa Catarina antes de se estabelecer na região de Curitiba.

No Boqueirão encontraram espaço para pequenas propriedades

A experiência agrícola trazida por essas famílias contribuiu para o desenvolvimento econômico e social local.

Sua presença deixou marcas que permanecem até hoje.

O leite tornou-se parte da economia do Boqueirão

A criação de gado leiteiro encontrou condições para crescer.

As chácaras produziam.

Mas era necessário organizar a comercialização.

Em 1945 surgiu a Cooperativa Mista do Boqueirão

David Tows esteve ligado à criação do empreendimento.

A atividade ganhou organização empresarial

Produzir individualmente era uma coisa.

Organizar produtores em uma cooperativa permitia ampliar a capacidade econômica.

O leite deixou uma marca importante na memória do bairro.

David Tows permanece no mapa de Curitiba

O nome ligado à antiga cooperativa continua presente em uma importante via da região.

A Rua David Tows conecta diferentes áreas do sul da cidade.

O endereço preserva uma memória econômica

Milhares de pessoas passam pela rua sem necessariamente conhecer a origem do nome.

Essa é uma característica interessante dos logradouros

Eles podem funcionar como pequenos arquivos urbanos.

A placa permanece mesmo quando a atividade que deu importância ao homenageado desaparece da paisagem.

Os menonitas também criaram uma escola

Uma comunidade em crescimento precisava educar suas crianças.

Os menonitas estiveram ligados à criação da primeira escola da região.

Ela ficou conhecida inicialmente como Escola Boqueirão

Mais tarde, recebeu outra denominação.

Tornou-se ligada ao nome Erasto Gaertner

A instituição acompanhou diferentes gerações e tornou-se outra referência histórica do bairro.

Educação e desenvolvimento comunitário avançavam juntos.

A Praça Menonitas preserva essa memória

A presença dos imigrantes permanece registrada também no espaço público.

A Praça da Colonização Menonita, conhecida popularmente como Praça Menonitas, homenageia essas famílias.

A praça foi criada em 1980

Ela possui uma extensa área destinada ao lazer e à convivência.

O nome mantém viva uma etapa da formação do bairro

Novos moradores talvez não tenham qualquer relação direta com os primeiros colonizadores.

Mesmo assim, a denominação preserva essa memória no cotidiano.

O Boqueirão também ganhou presença militar

Outra instituição importante na história local foi o quartel.

A presença militar tornou-se uma referência para moradores e para a própria organização territorial da região.

Famílias ligadas aos militares passaram a viver nas proximidades

Isso acrescentou novos moradores.

Novas necessidades apareceram

Comércio.

Moradia.

Serviços.

A instalação de instituições pode funcionar como elemento de atração populacional e acelerar o desenvolvimento de uma área.

As ruas ainda eram difíceis

Apesar do crescimento, durante muito tempo circular pelo Boqueirão não era simples.

Muitas vias não possuíam pavimentação.

Havia chão de terra

Valetas.

Trechos que se tornavam difíceis durante períodos de chuva.

Moradores antigos lembram dessa realidade

Carroças e animais ainda faziam parte da paisagem enquanto a urbanização avançava.

A transição entre o Boqueirão rural e o urbano não aconteceu de uma vez.

Os dois mundos coexistiram durante décadas.

A Avenida Marechal Floriano tornou-se fundamental

À medida que a região crescia, uma via ganhou importância especial.

A Avenida Marechal Floriano Peixoto transformou-se em um dos principais corredores de ligação do bairro.

Ela conecta o Boqueirão a outras partes de Curitiba

Transporte coletivo utiliza o eixo.

Comércio se desenvolveu ao longo de suas margens.

A avenida ajudou a estruturar a ocupação

Grandes vias frequentemente exercem esse papel.

Quanto maior a acessibilidade, maior tende a ser a atração de moradores e atividades econômicas.

Comércio acompanhou a Marechal Floriano

O movimento de pessoas criou oportunidades.

Lojas apareceram.

Serviços foram instalados.

A avenida tornou-se um corredor comercial

Quem vive no bairro passou a encontrar diferentes opções sem precisar ir ao Centro.

Isso representa uma mudança importante

Um bairro deixa de ser apenas residencial quando começa a oferecer aquilo que seus moradores precisam no cotidiano.

A dependência de regiões centrais diminui.

Surge uma centralidade local.

O Boqueirão começou a se tornar autossuficiente

Com o passar das décadas, praticamente todos os tipos de serviços começaram a aparecer.

Mercados.

Escolas.

Comércio.

Restaurantes.

Atendimento público.

A população já não precisava sair do bairro para tudo

Isso fortaleceu a identidade local.

O Boqueirão ganhou vida própria

Para muitos moradores, o bairro passou a funcionar quase como uma pequena cidade dentro de Curitiba.

Essa sensação aparece inclusive nos relatos de pessoas que viveram ali durante décadas.

Os anos 1980 aceleraram a mudança da paisagem

Moradores antigos relatam que a ocupação se intensificou especialmente a partir desse período.

Terrenos vazios começaram a desaparecer.

Novas construções bloquearam antigas vistas

Onde antes era possível enxergar longas distâncias, casas e prédios passaram a ocupar o horizonte.

A densidade aumentou

Esse é um dos sinais mais evidentes da consolidação urbana.

A terra deixa de ser o elemento dominante.

Construções passam a definir a paisagem.

O transporte coletivo acompanhou a expansão

Um bairro populoso precisa movimentar milhares de pessoas diariamente.

O transporte tornou-se uma peça essencial do desenvolvimento.

Terminais passaram a organizar os deslocamentos

Linhas alimentadoras conectaram áreas residenciais.

Corredores permitiram chegar a outras regiões.

O Boqueirão ganhou forte integração com a rede de Curitiba

O antigo isolamento dos caminhos de terra tornou-se cada vez mais distante.

O bairro passou a estar conectado ao restante da cidade por uma estrutura de transporte muito mais ampla.

O Terminal do Carmo ganhou papel importante

A região do Carmo tornou-se uma das principais referências de mobilidade e serviços.

O terminal reúne linhas que atendem diferentes áreas.

Passageiros chegam diariamente

Alguns vivem no Boqueirão.

Outros vêm de bairros próximos.

O movimento produz centralidade

Onde muitas pessoas circulam, comércio e serviços encontram espaço.

Essa dinâmica ajudou a consolidar ainda mais o entorno.

Em 1995, o Boqueirão ganhou a primeira Rua da Cidadania

Um dos capítulos mais importantes da história recente aconteceu em 29 de março de 1995.

Naquele dia foi inaugurada a Rua da Cidadania do Boqueirão.

Foi a primeira Rua da Cidadania de Curitiba

O conceito buscava descentralizar os serviços públicos.

Em vez de obrigar moradores a viajar até o Centro, diferentes atendimentos poderiam ser realizados na própria região.

A localização próxima ao Terminal do Carmo reforçou a integração

Transporte e serviço público passaram a ocupar o mesmo núcleo urbano.

Era uma nova etapa na consolidação do bairro.

A descentralização mudou a relação com a Prefeitura

Documentos.

Atendimentos.

Serviços municipais e estaduais.

Diversas necessidades passaram a ser resolvidas mais perto de casa.

Isso reduz uma forma importante de distância

Não são os quilômetros que desaparecem.

É a necessidade de percorrê-los.

O bairro ganha autonomia funcional

Quanto mais serviços estão disponíveis localmente, mais forte se torna sua posição dentro da cidade.

O Boqueirão passou a exercer esse papel para toda a regional.

A Rua da Cidadania também impulsionou o entorno

Equipamentos públicos atraem pessoas.

Pessoas movimentam comércio.

A área ao redor recebe novos usos

Lojas.

Serviços.

Alimentação.

Atividades culturais.

O equipamento torna-se parte da identidade

Décadas depois de sua inauguração, a Rua da Cidadania continua sendo uma das referências mais conhecidas do Boqueirão.

Sua história já se confunde com a história recente do bairro.

O Santuário Nossa Senhora do Carmo tornou-se outro marco

A região do Carmo possui também uma importante referência religiosa.

O Santuário Nossa Senhora do Carmo integra a paisagem e a memória local.

Espaços religiosos frequentemente acompanham a formação dos bairros

Eles servem para celebrações.

Encontros.

Atividades comunitárias.

Com o tempo, tornam-se pontos de referência geográfica

Moradores utilizam esses locais para explicar caminhos e localizar regiões.

Assim, a cidade cria mapas que não dependem apenas dos nomes das ruas.

O Boqueirão desenvolveu uma forte vocação para a moda

Comércio e indústria de confecções ganharam espaço no bairro.

Uma via tornou-se particularmente associada ao setor.

A Rua Bley Zornig passou a ser conhecida pela concentração de atividades ligadas à moda

Lojas e empresas do segmento ajudaram a criar uma identidade econômica.

Essa vocação continua sendo promovida

Eventos ligados à moda passaram a utilizar inclusive a estrutura da Rua da Cidadania.

É outro exemplo de como o bairro encontrou atividades econômicas próprias.

Da produção de leite à indústria de confecções

Essa comparação mostra o tamanho da transformação econômica.

Em uma época, pequenas chácaras e gado leiteiro tinham destaque.

Décadas depois, moda, comércio e serviços ganharam importância.

A economia acompanha a urbanização

Quando o território era rural, as atividades dependiam da terra.

Quando se tornou urbano, novas oportunidades apareceram.

O bairro se reinventou

A atividade econômica não desapareceu.

Ela mudou de forma.

O crescimento populacional confirma essa transformação

O Boqueirão está atualmente entre os bairros mais populosos de Curitiba.

O Censo de 2022 registrou 65.618 habitantes.

É uma população maior do que a de muitas cidades brasileiras

Ela está distribuída por uma área de aproximadamente 1.474 hectares.

Milhares de residências ocupam o território

Casas.

Edifícios.

Condomínios.

A antiga fazenda tornou-se um espaço densamente habitado.

O contraste com o século XIX é enorme

Imagine a Fazenda Boqueirão com criação de gado e grandes áreas de banhado.

Agora compare com dezenas de milhares de moradores.

É praticamente outro território

As dimensões geográficas permanecem.

Mas tudo o que existe sobre elas mudou.

A transformação aconteceu em menos de dois séculos

Em termos históricos, é um intervalo relativamente curto.

Uma única região passou de fazenda a bairro urbano consolidado.

A identidade do morador cresceu junto com o bairro

Bairros antigos desenvolvem uma cultura própria.

Moradores criam expressões.

Histórias.

Referências.

O sentimento de pertencimento pode ser muito forte

Pessoas passam décadas no mesmo endereço.

Criam filhos.

Trabalham na região.

O bairro passa a fazer parte da identidade pessoal

No Boqueirão, essa relação aparece frequentemente nos relatos dos moradores mais antigos.

Não é apenas um endereço.

É um lugar de pertencimento.

A memória está espalhada pelo mapa

Fazenda Boqueirão.

Rua David Tows.

Praça Menonitas.

Escola Erasto Gaertner.

Marechal Floriano.

Carmo.

Cada nome guarda uma parte da trajetória

Separadamente, parecem apenas referências geográficas.

Juntos, formam um arquivo urbano.

Caminhar pelo bairro é atravessar diferentes períodos

Alguns nomes lembram proprietários.

Outros imigrantes.

Outros instituições.

A história permanece visível para quem sabe onde procurar.

As plantas antigas ajudam a reconstruir essa transformação

Documentos cartográficos preservados pela Prefeitura permitem observar como antigas propriedades foram divididas.

A planta da Fazenda Boqueirão é um desses registros.

Ela documenta uma cidade que desapareceu

Grandes áreas aparecem antes da ocupação atual.

Comparar com o mapa moderno revela a mudança

Onde existia uma fazenda, hoje existem milhares de endereços.

Esse tipo de documento é fundamental para estudar a história dos bairros.

O desenho da bandeira é uma sobrevivência do passado

A curiosidade do traçado urbano ganha mais importância quando entendemos sua origem.

Não é um desenho criado recentemente.

Ele está relacionado ao loteamento da antiga fazenda

A cidade cresceu ao redor das linhas desenhadas décadas atrás.

O traçado permaneceu

É como uma impressão digital do planejamento original.

Mesmo que quase tudo ao redor tenha mudado, a geometria das ruas preserva parte da história.

Áreas alagadas também continuam exigindo atenção

O passado de banhados não desaparece completamente com a urbanização.

A geografia continua existindo sob o asfalto e as construções.

Rios atravessam a região

Entre eles estão os rios Belém e Iguaçu.

Drenagem continua sendo um tema importante

A ocupação modifica o comportamento da água.

Por isso, conhecer a geografia histórica também ajuda a compreender desafios urbanos atuais.

Urbanização não apaga completamente a natureza do território

Uma rua pode esconder o solo.

Uma construção pode ocupar um antigo campo.

Mas água continua seguindo determinadas características topográficas.

A cidade precisa adaptar-se

Galerias.

Canalizações.

Áreas permeáveis.

Controle de enchentes.

O antigo banhado deixa marcas

Mesmo quando não conseguimos mais enxergá-lo diretamente.

Essa é outra maneira pela qual o passado influencia o presente.

A Praça Menonitas liga passado e presente

Criada para homenagear os colonizadores menonitas, a praça continua sendo utilizada por novas gerações.

Crianças brincam.

Moradores praticam atividades.

Famílias se encontram.

O uso atual é diferente da história homenageada

Mas os dois convivem.

É assim que a memória urbana permanece viva

Não através de um espaço congelado.

Mas de um local utilizado diariamente que continua carregando uma referência histórica.

O Boqueirão tornou-se centro de uma região maior

Sua importância ultrapassa os limites administrativos do próprio bairro.

A Regional Boqueirão também atende áreas próximas.

Pessoas de diferentes bairros utilizam seus equipamentos

Transporte.

Serviços.

Comércio.

A centralidade atrai movimento

O bairro que um dia sofria com isolamento passou a exercer exatamente a função contrária.

Hoje ele recebe pessoas de diferentes partes da região.

Do isolamento à conexão

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de resumir sua trajetória.

No passado, caminhos difíceis e áreas alagadas limitavam os deslocamentos.

Depois vieram novas ruas

Pavimentação.

Transporte.

Terminais.

Finalmente chegaram estruturas descentralizadas de serviços

Cada etapa reduziu o isolamento.

O território foi sendo integrado à cidade.

Do gado leiteiro aos ônibus e lojas

A paisagem econômica também resume essa mudança.

Animais ocupavam chácaras.

Leite era produzido localmente.

Depois o bairro se urbanizou

Comércio ganhou espaço.

Confecções cresceram.

Serviços se multiplicaram.

O movimento substituiu parte da antiga tranquilidade rural

Hoje é difícil imaginar vacas e carroças em algumas das vias mais movimentadas da região.

Mas essa realidade pertence a um passado relativamente recente.

Por que conhecer a história do Boqueirão?

Porque ela ajuda a compreender como Curitiba cresceu.

A capital não foi construída apenas no Centro.

Antigas fazendas deram origem a bairros

Áreas rurais receberam loteamentos.

Imigrantes criaram atividades econômicas.

Infraestrutura integrou territórios

Esse processo aconteceu em diferentes pontos da cidade.

O Boqueirão é um dos exemplos mais completos.

A história continua sendo escrita

O bairro atual também mudará.

Novos edifícios poderão surgir.

O transporte será atualizado.

O comércio continuará se transformando.

Equipamentos públicos serão reformados

Novas gerações criarão outras referências.

O Boqueirão do futuro será diferente

Assim como o bairro atual seria praticamente irreconhecível para quem conheceu a antiga fazenda.

Registrar essas mudanças é preservar a memória de Curitiba.

Conclusão

A história do Boqueirão começa muito antes das avenidas, terminais e áreas comerciais que atualmente caracterizam essa parte de Curitiba.

Em 1856, registros já identificavam a antiga Fazenda Boqueirão, uma propriedade de quase mil alqueires ligada à família do coronel Manoel Antonio Ferreira.

A paisagem era marcada por banhados.

Havia criação de animais e extração de madeira.

E os caminhos podiam ser extremamente difíceis.

Com o tempo, a grande propriedade foi dividida.

No início do século XX, novas famílias passaram a controlar partes das terras e, em 1933, surgiu a Companhia Territorial Boqueirão.

O loteamento abriu uma nova fase.

Milhares de terrenos começaram a substituir a antiga estrutura rural.

Na mesma década, famílias menonitas se estabeleceram na região e contribuíram de maneira decisiva para seu desenvolvimento.

Pequenas chácaras ganharam destaque na produção leiteira.

Em 1945, a criação da Cooperativa Mista do Boqueirão ajudou a organizar essa atividade.

Depois, a urbanização acelerou.

Ruas foram abertas.

Casas ocuparam terrenos.

A Avenida Marechal Floriano tornou-se um importante corredor.

O transporte coletivo ampliou as conexões.

Comércio e serviços transformaram o bairro em uma centralidade do sul da cidade.

Em 29 de março de 1995, o Boqueirão recebeu a primeira Rua da Cidadania de Curitiba, consolidando também sua importância administrativa.

Hoje, com mais de 65 mil habitantes, o bairro apresenta uma realidade completamente diferente daquela encontrada na antiga fazenda.

Ainda assim, o passado permanece espalhado pelo território.

Está no nome Boqueirão.

Na Praça Menonitas.

Na Rua David Tows.

No traçado das ruas que lembra a Bandeira do Brasil.

E nas memórias dos moradores que ainda recordam quando havia terra, valetas, carroças e grandes espaços vazios onde atualmente existe uma paisagem urbana consolidada.

Da antiga fazenda alagada a um dos bairros mais populosos de Curitiba, o Boqueirão mostra como a cidade transformou seu território sem apagar completamente as marcas de quem ajudou a construí-lo.

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