Marcos Bertoldi é um nome que acompanha uma das vias que ajudam a contar a transformação do Campo de Santana, na região sul de Curitiba.
Hoje, quem percorre a rua encontra uma paisagem formada por diferentes maneiras de circular.
Automóveis.
Ônibus.
Bicicletas.
Pedestres.
Trechos pavimentados.
Cruzamentos reorganizados.
Essa realidade não surgiu de uma única obra.
Ao longo dos anos, diferentes intervenções foram modificando a Rua Marcos Bertoldi e acompanhando o crescimento do entorno.
Em determinado momento, a bicicleta ganhou espaço próprio.
Em outro, um trecho que ainda possuía saibro recebeu pavimentação e drenagem.
Mais adiante, um encontro de várias ruas precisou ser redesenhado para organizar a circulação de veículos e melhorar as condições para pedestres e usuários do transporte coletivo.
Enquanto a rua acumulava essas transformações, uma pergunta continuava escondida atrás da placa.
Quem foi Marcos Bertoldi?
E por que seu sobrenome aparece tantas vezes em outros endereços dessa parte de Curitiba?
A resposta biográfica ainda exige documentos capazes de estabelecer uma ligação segura entre o homenageado e o logradouro.
A transformação da rua, porém, deixou registros muito mais recentes.
E é através deles que podemos acompanhar como um endereço residencial passou a fazer parte de uma rede cada vez mais importante para a mobilidade do Campo de Santana.
Quem foi Marcos Bertoldi?
Encontrar o nome de uma pessoa em uma placa de rua cria uma impressão de permanência.
Parece natural imaginar que sua história também esteja facilmente disponível.
Nem sempre está.
No caso de Marcos Bertoldi, ainda é necessário localizar documentação suficientemente segura para apresentar uma biografia definitiva do homenageado.
Um nome semelhante não é suficiente
Pode existir mais de uma pessoa chamada Marcos Bertoldi.
Um registro genealógico pode trazer esse nome.
Um jornal antigo também.
Mas a questão principal permanece
Qual dessas pessoas, se houver mais de uma, foi escolhida para identificar a rua?
Para responder corretamente, precisamos de uma fonte que estabeleça essa conexão.
O ato de denominação pode ser a chave
Um dos melhores caminhos para resolver a questão é localizar o documento que oficializou o nome da rua.
Pode ser uma lei.
Um decreto.
Um projeto apresentado à Câmara Municipal
Ou algum processo administrativo relacionado à denominação.
A justificativa pode conter informações preciosas
Profissão.
Datas.
Relação com Curitiba.
Atuação comunitária.
Familiares.
Quando esse tipo de documentação é localizado, uma simples placa pode abrir caminho para a reconstrução de uma vida inteira.
Enquanto a pessoa permanece pouco conhecida, o nome continua vivo
Existe uma característica fascinante nos logradouros.
Eles podem preservar um nome mesmo quando a memória sobre a pessoa desaparece.
Moradores continuam utilizando o endereço
Correspondências chegam.
Mapas registram.
Empresas utilizam
Órgãos públicos repetem.
Aplicativos de navegação reproduzem.
A pessoa pode deixar de ser conhecida, mas seu nome permanece integrado à cidade.
Marcos Bertoldi é um exemplo dessa permanência.
Bertoldi não aparece sozinho no Campo de Santana
Quem observa o mapa da região percebe rapidamente que existe algo maior.
O sobrenome Bertoldi aparece repetidas vezes.
Maria Luzardi Bertoldi
Joana Roncaglio Bertoldi.
Fanny Bertoldi.
Antônio Bertoldi.
Pia Lazzari Bertoldi
Adolpho Bertoldi.
Outros nomes também aparecem em diferentes pontos do bairro.
Isso transforma o sobrenome em uma pista histórica importante.
A concentração desperta uma hipótese natural
Quando várias ruas próximas carregam o mesmo sobrenome, é fácil imaginar uma relação familiar.
Talvez tenham pertencido à mesma família.
Talvez estivessem ligados a antigas propriedades.
Talvez tenham participado da formação territorial da região
Todas essas possibilidades são interessantes.
Mas ainda são possibilidades
A proximidade geográfica e o sobrenome compartilhado não bastam para comprovar parentesco.
Documentos familiares poderiam esclarecer
Certidões de nascimento podem indicar pais.
Registros de casamento conectam famílias.
Inventários revelam herdeiros
Registros de imóveis podem mostrar propriedades.
Escrituras ajudam a reconstruir a ocupação territorial
Quando essas fontes são cruzadas, uma história começa a surgir.
Até que isso seja feito, é melhor manter as perguntas abertas.
Bertoldi e Bertholdi também aparecem no mapa
Existe outro detalhe.
Nem todos os nomes próximos utilizam exatamente a mesma grafia.
Em determinados logradouros encontramos Bertoldi.
Em outros, Bertholdi.
Alda Bassete Bertholdi é um exemplo
A diferença de grafia pode ter diversas explicações.
Mas nenhuma deve ser escolhida sem documentação
Pode existir uma variação histórica.
Pode se tratar de famílias diferentes.
Ou documentos antigos podem ter utilizado grafias distintas.
É mais uma pista para futuras pesquisas.
A rua possui uma história própria
Mesmo que ainda não conheçamos toda a biografia de Marcos, o logradouro que recebeu seu nome acumulou acontecimentos bem documentados.
Isso permite separar duas histórias.
A primeira é a história do homenageado
Ainda parcialmente escondida.
A segunda é a história urbana da Rua Marcos Bertoldi
Essa pode ser reconstruída através das transformações ocorridas no Campo de Santana.
E uma das mais visíveis está relacionada à bicicleta.
A bicicleta ganhou espaço na Marcos Bertoldi
Em 2021, a Rua Marcos Bertoldi entrou em uma nova fase de sua história.
A Prefeitura anunciou a implantação de ciclofaixas na via.
O projeto reservou 2,7 quilômetros para ciclistas
O trecho estava localizado entre as ruas Alda Bassete Bertholdi e Maria Luzardi Bertoldi.
A estrutura foi implantada nos dois sentidos
Cada lado possuía aproximadamente 1,35 quilômetro.
Assim, a bicicleta ganhou um espaço próprio dentro da organização da rua.
A localização das ciclofaixas possui uma característica interessante
Elas foram projetadas junto ao canteiro central.
Essa configuração permite separar visualmente os diferentes usos da via.
Motoristas permanecem nas faixas destinadas aos veículos
Ciclistas utilizam a estrutura demarcada.
Pedestres seguem utilizando seus espaços
O objetivo é organizar modos diferentes de deslocamento dentro de uma mesma rua.
Isso representa uma mudança importante na maneira de pensar a mobilidade.
A rua deixou de ser pensada apenas para automóveis
Durante muito tempo, grande parte das intervenções viárias nas cidades priorizou principalmente os veículos motorizados.
A expansão da infraestrutura cicloviária representa outra lógica.
Bicicleta também é transporte
Pode ser utilizada para lazer.
Mas também leva alguém ao trabalho
À escola.
Ao comércio.
À casa de familiares.
Quando uma via recebe estrutura cicloviária, ela reconhece formalmente essa maneira de circular.
Para alguns moradores, pedalar faz parte da rotina
Nem toda bicicleta encontrada no Campo de Santana está sendo utilizada para exercício.
Para muitas pessoas, ela é um meio de transporte cotidiano.
É econômica
Ocupa pouco espaço.
Não depende de combustível
Também permite percorrer distâncias que seriam demoradas a pé.
Por isso, uma ciclofaixa em um bairro residencial pode ter uma função muito diferente daquela encontrada apenas em áreas de lazer.
Os 2,7 quilômetros faziam parte de uma rede maior
A intervenção da Marcos Bertoldi não surgiu isoladamente.
Ela integrava o planejamento cicloviário de Curitiba.
Outras ruas da região também começaram a receber conexões
A proposta era formar uma rede.
Esse detalhe é fundamental
Uma ciclofaixa isolada possui utilidade limitada.
Quando diferentes estruturas se conectam, a bicicleta passa a alcançar destinos maiores.
É assim que uma malha cicloviária começa a funcionar como sistema.
O trecho também recebeu revitalização
A implantação da estrutura cicloviária veio acompanhada de outras melhorias.
Pontos de ônibus foram considerados.
Vagas de estacionamento.
Sinalização viária
Pintura.
Placas
A transformação, portanto, não se resumiu à criação de uma faixa para bicicletas.
O trecho passou por uma reorganização mais ampla.
Ônibus e bicicletas passaram a compartilhar a mesma transformação
Uma rua importante precisa atender usuários diferentes.
Quem pedala possui determinadas necessidades.
Quem espera ônibus possui outras.
Motoristas também precisam compreender a sinalização
Pedestres precisam atravessar.
A engenharia de trânsito tenta organizar essas interações
Por isso, alterações aparentemente simples podem exigir planejamento detalhado.
Cada modo de transporte interfere no outro.
O canteiro central ganhou outra função
Um elemento urbano pode assumir novas funções com o passar do tempo.
O canteiro central, antes percebido principalmente como separação física da via, passou a participar também da organização cicloviária.
Isso modifica a leitura da rua
O espaço deixa de ser apenas divisório.
Passa a orientar um novo fluxo
Bicicletas circulando junto ao canteiro tornam-se parte visível da paisagem cotidiana.
A rua começa a comunicar que diferentes meios de transporte pertencem a ela.
Mas nem toda a Marcos Bertoldi possuía a mesma infraestrutura
Enquanto uma parte recebia ciclofaixas, outro trecho ainda enfrentava uma realidade diferente.
O saibro permanecia.
Isso mostra como uma única rua pode possuir fases distintas
Um trecho pode estar consolidado.
Outro ainda precisa de infraestrutura básica.
A urbanização não acontece de maneira uniforme
Ela avança por etapas.
E a Rua Marcos Bertoldi é um bom exemplo dessa diferença.
Um trecho ainda esperava pelo asfalto
A transformação chegou posteriormente ao segmento entre Maria Luzardi Bertoldi e Aretuza Machado de Andrade.
Ali, a rua ainda possuía pavimento primário.
Foram aproximadamente 235 metros contemplados
Pode parecer uma distância pequena.
Para os moradores daquele trecho, porém, representava a própria rua diante de casa
A escala da cidade e a escala do morador são muito diferentes.
O saibro traz dificuldades específicas
Em períodos secos, a poeira se espalha.
Ela entra nas residências.
Adere aos veículos
Afeta quem caminha.
Quando chove, o problema muda
A lama aparece.
A água pode formar caminhos improvisados.
Buracos dificultam a circulação.
É uma realidade muito diferente daquela de uma via pavimentada.
A pavimentação mudou esses 235 metros
O trecho recebeu asfalto.
Mas a intervenção não ficou apenas na superfície.
Foi implantada infraestrutura de drenagem
Galerias para águas pluviais.
Bocas de lobo
Meio-fio.
Esses elementos são essenciais para que a água seja conduzida de maneira adequada.
O pavimento que vemos depende de uma infraestrutura menos visível.
Drenagem faz parte da história do asfalto
Quando pensamos em pavimentação, normalmente lembramos apenas da camada escura sobre a rua.
Mas a água é uma das principais questões de qualquer projeto viário.
A chuva precisa ser direcionada
Sem drenagem adequada, o próprio pavimento pode sofrer.
Residências também podem ser afetadas
Por isso, uma obra completa precisa considerar aquilo que acontece quando o céu fecha e a chuva começa.
Na Marcos Bertoldi, a drenagem fez parte da intervenção.
O relato de um morador mostrou o impacto cotidiano
A transformação do trecho não foi percebida apenas pelos engenheiros.
Moradores sentiram a diferença.
Um trabalhador que utilizava carrinhos para coleta de materiais recicláveis relatou dificuldades enfrentadas antes da pavimentação.
Lama e enxurradas prejudicavam a circulação
Os carrinhos podiam atolar.
Rodas eram danificadas
Depois do asfalto, sua rotina mudou.
Esse tipo de relato ajuda a compreender algo que números não conseguem mostrar.
Para quem trabalha na rua, o pavimento é ferramenta
Uma rua adequada não beneficia apenas quem possui automóvel.
Um trabalhador que empurra um carrinho também depende dela.
Um ciclista depende
Um entregador.
Uma criança caminhando
Uma pessoa idosa.
Quando a infraestrutura melhora, os impactos aparecem em atividades muito diferentes.
Essa é uma das razões pelas quais pavimentação possui importância social.
A Rua Marcos Bertoldi reuniu duas fases da mobilidade
Existe um contraste interessante.
Em uma parte da história, discutimos ciclofaixas.
Em outra, ainda estamos falando da chegada do asfalto.
Tecnologia urbana e infraestrutura básica convivem
Isso mostra como bairros em expansão possuem necessidades simultâneas.
É preciso completar a pavimentação
Mas também pensar no futuro da mobilidade.
Uma coisa não elimina a outra.
O crescimento do Campo de Santana exigiu mais conexões
À medida que novas áreas residenciais se consolidaram, o número de deslocamentos aumentou.
Pessoas precisam chegar ao trabalho.
À escola.
Aos mercados
Aos equipamentos públicos.
Aos terminais
A outros bairros.
As ruas passam a exercer funções que talvez não fossem previstas com a mesma intensidade quando foram abertas.
Rio Bonito tornou-se uma referência importante
A região do Rio Bonito está diretamente relacionada à Rua Marcos Bertoldi.
O crescimento residencial aumentou a necessidade de melhorar as conexões.
Uma rua não funciona isoladamente
Ela encontra outras vias.
Os cruzamentos concentram movimentos
E é justamente nesses pontos que surgem alguns dos maiores desafios de trânsito.
Um desses encontros acabou se tornando outro capítulo importante da Marcos Bertoldi.
Quatro ruas se encontravam em um ponto complexo
Marcos Bertoldi.
Presidente João Goulart.
Dirce Rogal Tomazeli.
Alda Bassete Bertholdi.
A confluência dessas vias precisava acomodar diferentes movimentos
Veículos chegavam de direções distintas.
Ônibus utilizavam a região
Pedestres também precisavam circular.
Com o crescimento do entorno, organizar esse encontro tornou-se cada vez mais importante.
Os moradores pediram uma solução
Um detalhe relevante da intervenção é sua origem.
A melhoria foi solicitada pela população.
Moradores conheciam o problema
Utilizavam o cruzamento diariamente.
Percebiam os conflitos
A demanda chegou à Prefeitura e passou a fazer parte do planejamento viário.
Esse é um exemplo de como a experiência cotidiana pode influenciar mudanças físicas na cidade.
Em 2022, o cruzamento começou a ser redesenhado
A solução envolveu correção geométrica e implantação de uma rotatória.
O objetivo era organizar a circulação entre as vias.
O desenho do trecho precisou mudar
Partes foram realinhadas.
Os movimentos passaram a seguir outra lógica
A rotatória cria uma forma contínua de distribuição dos fluxos.
Em vez de vários movimentos concorrendo diretamente, os veículos passam a entrar e sair de uma estrutura organizada.
A rotatória não foi a única mudança
Uma intervenção viária pode parecer direcionada apenas aos carros.
Nesse caso, houve outros elementos.
Calçadas com acessibilidade foram executadas
Pontos de ônibus precisaram ser reposicionados.
A sinalização também fez parte da transformação
Isso mostra que reorganizar um cruzamento exige observar o espaço como um conjunto.
Motoristas são apenas um dos usuários.
A acessibilidade colocou os pedestres na intervenção
Uma calçada pode determinar se uma pessoa consegue ou não utilizar determinado caminho.
Para quem possui mobilidade reduzida, pequenos obstáculos podem se transformar em grandes barreiras.
Desníveis
Falta de continuidade.
Passagens estreitas
Superfícies inadequadas.
Quando uma obra viária incorpora acessibilidade, ela reconhece que o deslocamento a pé também precisa ser planejado.
Os pontos de ônibus precisaram mudar
Outro detalhe interessante foi a relocação dos pontos de transporte coletivo.
A nova configuração do cruzamento alterou o espaço disponível.
Os pontos foram deslocados alguns metros
A medida buscou garantir melhores condições de segurança aos usuários.
Isso demonstra a complexidade da intervenção
Mover o tráfego interfere no ônibus.
O ônibus interfere no pedestre.
O pedestre precisa atravessar.
Cada mudança produz consequências.
A rotatória aproximou ainda mais Campo de Santana e Tatuquara
O cruzamento possui importância justamente por estar em uma área de ligação.
As ruas conectam diferentes partes da Regional Tatuquara.
Pessoas atravessam esses limites diariamente
Para quem mora na região, a divisão administrativa entre bairros nem sempre é percebida durante o deslocamento.
A vida cotidiana ignora fronteiras cartográficas
O importante é conseguir chegar ao destino.
Por isso, melhorar uma conexão beneficia movimentos que ultrapassam a própria rua.
A Presidente João Goulart tornou-se parceira dessa história
A Rua Presidente João Goulart aparece como uma via importante nas conexões locais.
Seu encontro com Marcos Bertoldi tornou-se um dos pontos reorganizados pela Prefeitura.
Isso mostra como ruas diferentes passam a compartilhar histórias
Uma obra pertence simultaneamente a vários logradouros.
A rotatória é da Marcos
Mas também da João Goulart.
Da Dirce Rogal Tomazeli.
E da Alda Bassete Bertholdi.
A cidade é construída nos encontros.
Alda Bassete Bertholdi aparece novamente
O nome Alda já estava relacionado ao início do trecho de ciclofaixas.
Depois, reaparece no cruzamento da rotatória.
Isso cria uma ligação interessante
Diferentes intervenções da Marcos Bertoldi encontram a mesma rua em pontos importantes.
A geografia conecta histórias
Mais uma vez, o sobrenome semelhante desperta curiosidade sobre os homenageados.
Mas essa curiosidade precisa permanecer separada das informações comprovadas sobre as obras.
A transformação aconteceu em camadas
Quando reunimos todos esses acontecimentos, percebemos que não existiu uma única “grande transformação”.
Foram várias.
A bicicleta ganhou espaço
Um trecho recebeu asfalto.
A drenagem foi implantada
Um cruzamento foi redesenhado.
Calçadas foram adequadas.
Pontos de ônibus mudaram.
Cada intervenção acrescentou uma camada.
Uma rua pode ser lida como uma linha do tempo
Observe a Marcos Bertoldi de hoje.
Parte de sua história está fisicamente visível.
O asfalto registra uma etapa
A ciclofaixa registra outra.
A rotatória registra uma terceira
A sinalização também possui sua época.
Quando aprendemos a observar esses elementos, a própria paisagem começa a funcionar como documento.
O morador antigo enxerga outra rua
Quem vive há muitos anos no Campo de Santana possui uma referência diferente de quem chegou recentemente.
Pode lembrar do saibro.
Da poeira
Da lama.
De um cruzamento com outra configuração
Talvez recorde a época anterior às ciclofaixas.
O morador novo encontra tudo isso já incorporado à paisagem.
São duas experiências do mesmo endereço.
A bicicleta também cria novas memórias
Uma criança que hoje aprende a pedalar na região pode crescer considerando natural a existência de espaço destinado às bicicletas.
Para gerações anteriores, essa realidade era diferente.
Infraestrutura modifica hábitos
E hábitos modificam a percepção da cidade.
O que hoje parece novidade pode amanhã parecer indispensável
Essa é uma das formas pelas quais a mobilidade urbana evolui.
O asfalto também rapidamente se torna “invisível”
Logo depois de uma obra, moradores percebem cada mudança.
Alguns anos depois, o pavimento parece ter estado ali para sempre.
É fácil esquecer o saibro
Esquecer a lama.
Esquecer as dificuldades
Por isso, registros públicos e fotografias possuem valor.
Eles preservam o antes.
Sem o antes, não conseguimos medir a transformação.
O mesmo acontecerá com a rotatória
Quem começar a dirigir na região daqui a alguns anos talvez nunca conheça a configuração anterior.
A rotatória será apenas parte natural do caminho.
Mas ela nasceu de uma necessidade
Foi solicitada.
Planejada.
Construída
E incorporada à rotina.
Essa sequência é história urbana.
A participação dos moradores aparece novamente
Existe um ponto em comum entre várias transformações de bairros.
A população local percebe problemas primeiro.
Quem mora conhece os horários mais movimentados
Os cruzamentos difíceis.
As ruas que alagam
Os lugares onde falta calçada.
Quando esses problemas chegam aos canais públicos e se transformam em obras, a comunidade passa a participar indiretamente do desenho urbano.
Uma rua é construída por muito mais gente do que parece
Engenheiros projetam.
Operários executam.
Gestores aprovam.
Moradores solicitam
Motoristas se adaptam.
Ciclistas utilizam
Pedestres testam diariamente se a solução funciona.
Uma rua é resultado dessa interação contínua.
Marcos Bertoldi passou por várias dessas etapas.
A mobilidade sustentável ganhou espaço
A presença das ciclofaixas acrescenta uma dimensão ambiental à transformação.
Bicicletas não emitem gases durante o deslocamento.
Também ocupam menos espaço
Podem complementar o transporte coletivo.
E incentivam atividade física
Mas para que mais pessoas considerem a bicicleta uma opção, é importante existir infraestrutura adequada.
A sensação de segurança influencia diretamente essa escolha.
Infraestrutura pode mudar decisões
Uma pessoa pode possuir bicicleta e ainda assim evitar determinado percurso.
Trânsito intenso.
Falta de espaço.
Cruzamentos difíceis
Esses fatores afastam usuários.
Quando existe estrutura dedicada, a decisão pode mudar
Alguém que antes não pedalava até determinado destino pode começar a considerar essa possibilidade.
Assim, uma faixa pintada no chão pode influenciar comportamentos cotidianos.
O Campo de Santana passou a integrar uma rede cicloviária maior
As intervenções municipais buscaram ampliar as conexões da região.
Isso significa que a Marcos Bertoldi não deve ser observada apenas pelos seus 2,7 quilômetros.
O valor aumenta quando existe continuidade
Outras estruturas permitem seguir viagem.
A rede começa a alcançar mais destinos
Esse é o princípio de qualquer sistema de mobilidade.
Uma rua sozinha é um trecho.
Várias ruas conectadas formam uma rede.
A infraestrutura básica continuou igualmente necessária
Ao mesmo tempo, os 235 metros de asfalto lembram que a expansão urbana possui contrastes.
Uma parte discute mobilidade sustentável.
Outra ainda precisava superar o pavimento primário.
Essas duas realidades não são contraditórias
São fases diferentes convivendo no mesmo território.
O planejamento precisa atender ambas
Concluir a infraestrutura essencial e preparar novas formas de deslocamento.
É assim que bairros em crescimento se consolidam.
Marcos Bertoldi tornou-se uma via de múltiplas funções
A rua atende moradores.
Recebe veículos.
Integra o transporte coletivo.
Possui espaço para bicicletas
Conecta outras vias importantes.
Participa da ligação com o Rio Bonito
Cada nova função aumenta sua importância dentro da região.
Isso ajuda a explicar por que diferentes intervenções se concentraram nela.
E o homem por trás do nome?
Depois de conhecer todas essas mudanças, retornamos à pergunta inicial.
Quem foi Marcos?
A cidade preservou seu nome.
Mas a documentação biográfica ainda precisa ser encontrada e verificada.
Talvez a resposta esteja em arquivos municipais
Talvez em registros familiares.
Talvez em antigos documentos de propriedade
Ou no processo original de denominação.
A ausência atual de uma resposta definitiva não significa que ela não exista.
Significa apenas que ainda precisa ser localizada.
O sobrenome pode ajudar a reconstruir o caminho
A concentração de Bertoldi oferece uma pista que não deve ser ignorada.
Mas precisa ser investigada metodicamente.
Quais ruas receberam nomes primeiro?
Foram denominadas na mesma época?
Os projetos foram apresentados juntos?
As justificativas mencionam alguma família?
Essas perguntas podem revelar se existe ou não uma história comum.
A cronologia das denominações pode ser decisiva
Imagine que várias ruas Bertoldi tenham recebido seus nomes no mesmo ato.
Isso seria uma pista forte sobre um contexto compartilhado.
Agora imagine que cada uma tenha sido denominada décadas depois da outra
A interpretação seria completamente diferente.
Por isso, datas importam
O mapa atual mostra os nomes lado a lado.
Somente os documentos mostram como eles chegaram ali.
Registros de imóveis podem revelar a paisagem anterior
Antes das ruas atuais, a divisão territorial provavelmente era diferente.
Propriedades maiores.
Caminhos.
Áreas ainda não loteadas.
A urbanização reorganiza o espaço
Grandes áreas se tornam quadras.
Novas vias aparecem
Nomes são atribuídos.
Pesquisar a estrutura fundiária anterior pode ajudar a compreender por que determinados sobrenomes ficaram associados à região.
Fotografias também podem guardar respostas
Uma imagem antiga pode mostrar placas.
Casas.
Paisagens.
Pode revelar como era o cruzamento antes da rotatória
Como estava o trecho antes do asfalto.
Como a rua parecia antes das ciclofaixas
Fotografias cotidianas, que na época pareciam sem importância, podem se transformar em documentos valiosos.
Moradores antigos são parte desse arquivo
Algumas informações jamais foram publicadas.
Permanecem na memória das pessoas.
Um morador pode lembrar de antigas famílias
Outro pode saber como determinado nome era pronunciado.
Alguém pode possuir fotografias
Outro pode ter documentos.
A história oral não substitui fontes documentais, mas pode indicar exatamente onde procurar.
A cidade atual já está produzindo documentos para o futuro
As notícias sobre ciclofaixas, pavimentação e rotatória foram criadas para informar a população.
Mas daqui a algumas décadas terão outro valor.
Permitirão reconstruir datas
Extensões.
Trechos
Objetivos.
Mudanças na infraestrutura.
O presente de hoje será o arquivo histórico de amanhã.
Marcos Bertoldi continua mudando
A história da rua não terminou com o asfalto.
Nem com a ciclofaixa.
Nem com a rotatória.
Infraestrutura precisa de manutenção
Sinalização muda.
O trânsito evolui
Novas necessidades aparecem.
O crescimento do Campo de Santana continuará produzindo transformações.
A rua precisará acompanhá-las.
O nome provavelmente permanecerá
Essa talvez seja a característica mais curiosa.
Quase tudo ao redor pode mudar.
O pavimento.
Os veículos.
As casas
Os comércios.
As regras de trânsito
Mas o nome Marcos Bertoldi pode atravessar todas essas fases.
É assim que um logradouro se transforma em memória.
Conclusão
Marcos Bertoldi permanece como um nome que ainda exige investigação quando procuramos identificar com segurança o homenageado da rua no Campo de Santana.
A concentração de Bertoldi e Bertholdi na região oferece pistas interessantes.
Maria Luzardi Bertoldi.
Joana Roncaglio Bertoldi.
Fanny Bertoldi.
Antônio Bertoldi.
Pia Lazzari Bertoldi.
Adolpho Bertoldi.
Alda Bassete Bertholdi.
São nomes que podem guardar relações familiares ou territoriais importantes.
Mas essas relações precisam ser demonstradas por documentos.
Enquanto a biografia de Marcos espera novas fontes, a história da rua que leva seu nome já pode ser reconstruída com muito mais segurança.
Em 2021, a Rua Marcos Bertoldi recebeu 2,7 quilômetros de ciclofaixas entre Alda Bassete Bertholdi e Maria Luzardi Bertoldi.
Foram aproximadamente 1,35 quilômetro em cada sentido, criando um novo espaço para quem utiliza a bicicleta como transporte ou lazer.
A intervenção colocou a rua dentro de um processo maior de expansão da infraestrutura cicloviária de Curitiba.
Mas a mesma via ainda possuía outro desafio.
Entre Maria Luzardi Bertoldi e Aretuza Machado de Andrade, aproximadamente 235 metros ainda tinham pavimento de saibro.
Esse trecho recebeu asfalto e infraestrutura de drenagem, incluindo galerias de águas pluviais, bocas de lobo e meio-fio.
Para moradores, a mudança significou menos poeira nos períodos secos e menos dificuldades com lama e enxurradas durante as chuvas.
Depois surgiu outro capítulo.
Na confluência das ruas Presidente João Goulart, Dirce Rogal Tomazeli, Marcos Bertoldi e Alda Bassete Bertholdi, a circulação precisava ser reorganizada.
A pedido dos moradores, o trecho recebeu correção geométrica e uma nova rotatória em 2022.
Calçadas com acessibilidade foram executadas.
Pontos de ônibus foram reposicionados.
A sinalização foi reorganizada.
São três transformações diferentes.
Bicicleta.
Asfalto.
Rotatória.
Mas todas contam a mesma história.
A história de uma região que cresceu e precisou adaptar sua infraestrutura às novas formas de viver e circular.
Hoje, a Rua Marcos Bertoldi reúne essas diferentes camadas.
Quem passa de bicicleta utiliza uma transformação.
Quem dirige pela rotatória utiliza outra.
Quem mora no trecho que recebeu pavimentação vive uma terceira.
E todos continuam pronunciando o mesmo nome.
Talvez ainda falte descobrir completamente quem foi o homem homenageado.
Mas a rua que o preserva já possui uma trajetória própria.
Entre bicicletas, asfalto e memória, Marcos Bertoldi tornou-se parte da transformação urbana do Campo de Santana.
