História da Rua XV de Novembro: da antiga Rua das Flores ao coração de Curitiba

Poucas ruas conseguem contar tantas fases de uma cidade quanto a Rua XV de Novembro.

No coração de Curitiba, ela atravessou diferentes épocas, recebeu outros nomes, acompanhou a chegada dos bondes, viu o comércio se desenvolver, enfrentou o crescimento dos automóveis e, décadas depois, protagonizou uma transformação urbana que se tornaria conhecida em todo o Brasil.

A História da Rua XV de Novembro também é uma história sobre a maneira como Curitiba passou a enxergar seus espaços públicos.

Onde antes circulavam veículos, hoje caminham milhares de pessoas.

Onde comerciantes chegaram a temer a perda de clientes, surgiu um dos espaços comerciais e turísticos mais conhecidos da capital paranaense.

O calçamento de petit-pavê, as floreiras, os edifícios históricos, o Bondinho da Leitura, os cafés e a movimentação constante fizeram da rua muito mais do que uma ligação entre diferentes pontos do Centro.

Ela se tornou parte da identidade de Curitiba.

Mas a Rua XV que conhecemos atualmente é resultado de uma transformação construída durante muitas décadas.

Para compreendê-la, precisamos voltar a uma Curitiba muito diferente daquela de hoje.

História da Rua XV de Novembro começa antes desse nome

A Rua XV de Novembro nem sempre teve essa denominação.

No fim do século XIX, o endereço ainda aparecia em documentos como Rua da Imperatriz.

O nome pertencia a uma cidade inserida no período monárquico brasileiro.

Curitiba era menor.

As construções tinham outra escala.

Os meios de transporte eram diferentes.

E aquilo que hoje parece uma movimentada área central ainda estava passando por um processo de consolidação urbana.

Os nomes também registram mudanças históricas

Uma rua pode continuar fisicamente no mesmo lugar enquanto sua denominação muda completamente.

Isso acontece quando novas homenagens são criadas, personagens ganham importância ou acontecimentos políticos modificam a forma como uma cidade representa sua própria história.

A Rua XV é um ótimo exemplo.

Antes da XV existiu a Rua da Imperatriz

A denominação Rua da Imperatriz fazia sentido dentro do universo político do Império.

Mas o Brasil mudou profundamente no final do século XIX.

Em 15 de novembro de 1889, a República foi proclamada.

Com a nova ordem política, referências monárquicas começaram a perder espaço em diferentes cidades brasileiras.

Outra importante via do Centro também preserva em seu nome parte da história política brasileira: conheça a história da Rua Marechal Deodoro e descubra como esse endereço se desenvolveu em Curitiba.

A rua também mudou.

XV de Novembro passou a fazer parte do endereço

A data da Proclamação da República tornou-se nome da via.

Com o passar das décadas, a denominação foi incorporada à rotina dos curitibanos.

Hoje, muitas pessoas simplesmente dizem:

Rua XV.

A origem política do nome quase desaparece na conversa cotidiana.

Mas continua gravada na placa.

E de onde surgiu o nome Rua das Flores?

A associação entre a rua e as flores é antiga.

A denominação Rua das Flores atravessou diferentes períodos e acabou se tornando inseparável da identidade da via.

O nome atravessou gerações

Décadas depois, quando a rua foi transformada em calçadão e recebeu floreiras, a expressão ganhou ainda mais força.

Hoje, falar em Rua das Flores imediatamente remete ao trecho mais conhecido da Rua XV de Novembro.

As duas denominações se misturaram na memória da cidade.

Esse episódio acrescenta outra camada à História da Rua XV de Novembro e ajuda a explicar por que o nome Rua das Flores permaneceu tão presente na memória curitibana.

A História da Rua XV de Novembro também é comercial

À medida que Curitiba crescia, a rua ganhou importância econômica.

Sua localização favorecia a circulação de pessoas.

Lojas começaram a ocupar os imóveis.

Cafés apareceram.

Serviços se concentraram na região.

Ir à Rua XV virou parte da rotina

Fazer compras.

Observar vitrines.

Encontrar conhecidos.

Resolver tarefas no Centro.

Parar para conversar.

A rua deixou de ser apenas passagem.

Passou a funcionar também como espaço de convivência.

Essa característica seria fundamental para a transformação que aconteceria décadas mais tarde.

Os sobrados ajudavam a formar a paisagem

Fotografias históricas mostram uma Rua XV muito diferente da atual.

Sobrados ocupavam boa parte das fachadas.

Construções de inspiração eclética apareciam ao longo do endereço.

A escala era menor

Os edifícios altos ainda não dominavam o horizonte.

A relação entre a rua e as construções era muito mais próxima.

As fachadas ajudavam a criar uma paisagem urbana bastante diferente daquela encontrada atualmente.

Com o passar das décadas, parte desse conjunto desapareceria.

Outros edifícios sobreviveriam.

Os bondes na História da Rua XV de Novembro

Antes dos ônibus dominarem o transporte coletivo de Curitiba, os bondes fizeram parte do cotidiano.

E a Rua XV participou dessa história.

Primeiro existiram bondes de tração animal.

Depois chegou a eletrificação.

Bondes elétricos começaram a circular no início do século XX

Para os moradores daquela época, aquilo representava modernidade.

Trilhos atravessavam regiões centrais.

Passageiros utilizavam o transporte para chegar a diferentes destinos.

Hoje parece difícil imaginar bondes passando justamente onde milhares de pedestres caminham tranquilamente.

Mas a paisagem era outra.

Os antigos bondes ocupam, portanto, um capítulo importante da História da Rua XV de Novembro.

O transporte ajudou a fortalecer o Centro

Quanto mais fácil era chegar à região central, maior podia ser a circulação de pessoas.

Trabalhadores chegavam.

Consumidores também.

O comércio se beneficiava do movimento

Essa relação entre transporte e atividade econômica permanece até hoje.

O meio de transporte mudou.

O princípio continuou.

Uma área comercial depende de pessoas chegando, caminhando e permanecendo no espaço.

A Rua XV começou a ficar pequena para tanto movimento

Curitiba cresceu rapidamente durante o século XX.

Mais moradores significavam mais deslocamentos.

Bondes.

Pedestres.

Automóveis.

Diferentes formas de circulação disputavam espaço

Uma rua que funcionava bem para uma cidade menor começava a enfrentar dificuldades.

O trânsito aumentava.

O Centro ficava cada vez mais movimentado.

A necessidade de reorganização urbana começava a aparecer.

Esse aumento da circulação marcou outra etapa da História da Rua XV de Novembro.

História da Rua XV de Novembro também passa pelo asfalto

Existe uma curiosidade importante nessa trajetória.

A Rua XV participou da chegada de uma tecnologia que, naquele período, representava modernização urbana.

O asfalto.

Um dos primeiros trechos asfaltados de Curitiba estava ali

O segmento ficava na área central da Rua XV.

Para os moradores da época, pavimentar significava progresso.

A superfície regular melhorava a circulação.

Reduzia problemas relacionados aos antigos pavimentos.

A cidade parecia entrar em uma nova fase.

Décadas depois, porém, a própria rua passaria por uma transformação completamente diferente.

Durante anos, o automóvel ganhou espaço

O século XX foi marcado pela expansão do uso de veículos particulares.

Curitiba acompanhou essa tendência.

Mais carros apareceram.

Estacionamentos ganharam importância.

O trânsito se intensificou.

A Rua XV também foi ocupada pelos automóveis

Carros circulavam diante das lojas.

Pedestres dividiam o espaço com veículos.

Parecia natural imaginar que o futuro das cidades dependeria de cada vez mais espaço para os automóveis.

A presença crescente dos carros também faz parte da História da Rua XV de Novembro e ajuda a compreender a transformação realizada poucos anos depois.

Mas no começo da década de 1970 uma ideia diferente começou a ganhar força.

História da Rua XV de Novembro mudou radicalmente em 1972

Em vez de abrir mais espaço para carros, Curitiba decidiu devolver parte da rua aos pedestres.

A proposta era ousada.

Transformar uma importante área comercial em um espaço exclusivo para pessoas contrariava uma lógica urbana muito comum naquele momento.

O automóvel deixaria de ser protagonista

O pedestre ganharia espaço.

Bancos seriam instalados.

Floreiras fariam parte da paisagem.

O ambiente seria reorganizado para permanência e circulação a pé.

Era uma mudança profunda na maneira de compreender uma rua.

Comerciantes temiam o fechamento

A resistência era compreensível.

Imagine possuir uma loja em uma rua movimentada e descobrir que os automóveis não poderiam mais passar diante da fachada.

Alguns comerciantes acreditavam que perderiam clientes

O carro era associado à facilidade de acesso.

Retirá-lo parecia arriscado.

Havia receio de prejuízo.

A transformação precisava acontecer rapidamente para demonstrar que outra forma de utilização era possível.

A obra começou numa sexta-feira

Era 19 de maio de 1972.

Uma sexta-feira.

Equipes começaram a trabalhar na Rua XV.

A estratégia era realizar rapidamente a intervenção.

O fim de semana foi utilizado para transformar a rua

Veículos foram retirados.

O espaço começou a ser reorganizado.

Quando a cidade retomasse sua rotina, a Rua XV já teria outra aparência.

Essa rapidez se tornaria uma das histórias mais conhecidas do urbanismo curitibano.

Curitiba acordou com outra Rua XV

No sábado, moradores começaram a encontrar uma paisagem diferente.

O trecho tradicionalmente utilizado por veículos agora pertencia aos pedestres.

A mudança era física e cultural

Não era apenas bloquear carros.

Era sugerir outra forma de utilizar o Centro.

As pessoas poderiam caminhar com mais liberdade.

Parar.

Conversar.

Observar vitrines.

Utilizar a rua como espaço de convivência.

Nascia o primeiro calçadão exclusivo para pedestres do Brasil

A transformação da Rua XV tornou-se um marco do urbanismo brasileiro.

Curitiba implantava o primeiro grande calçadão exclusivo para pedestres do país em uma de suas principais ruas comerciais.

Esse momento se tornou um dos capítulos mais conhecidos da História da Rua XV de Novembro.

Hoje a ideia parece comum

Muitas cidades possuem ruas destinadas exclusivamente a pedestres.

Mas naquele momento a decisão era muito menos óbvia.

O automóvel simbolizava modernidade.

Retirá-lo de uma rua importante parecia, para alguns, caminhar contra o desenvolvimento.

A experiência curitibana mostrou outra possibilidade.

O petit-pavê criou uma nova identidade

A transformação também aconteceu no chão.

O calçadão recebeu o tradicional petit-pavê.

Pedras claras e escuras formavam desenhos.

O pavimento deixou de ser apenas superfície

Passou a participar da identidade visual.

Quem caminhava pela rua observava desenhos, floreiras e fachadas em uma velocidade completamente diferente da experiência dentro de um automóvel.

A rua passou a ser percebida em detalhes.

As flores ganharam ainda mais importância

Floreiras foram incorporadas ao novo espaço.

A associação entre a rua e as flores ficou ainda mais forte.

Rua das Flores ganhou uma nova interpretação

O nome antigo encontrava o novo projeto.

Flores deixavam de ser apenas uma lembrança histórica.

Passavam a fazer parte diretamente da paisagem do calçadão.

A identidade estava completa.

Crianças ajudaram a ocupar o novo espaço

Uma área sem automóveis permitia usos diferentes.

Famílias passaram a permanecer por mais tempo.

Crianças encontraram um local no Centro onde podiam circular sem disputar diretamente espaço com carros.

A presença das pessoas ajudava a provar que o projeto funcionava

Uma rua vazia poderia alimentar críticas.

Uma rua ocupada demonstrava utilidade.

A população acabou se tornando parte fundamental da consolidação do calçadão.

A Rua XV virou uma grande sala de encontro

Com o passar dos anos, essa característica se fortaleceu.

Artistas encontraram público.

Comerciantes continuaram recebendo consumidores.

Cafés permaneceram ativos.

Pessoas passaram a utilizar a rua mesmo sem uma tarefa específica

Encontrar amigos.

Passear.

Observar.

Descansar.

Assistir a uma apresentação.

A rua conquistava funções que ultrapassavam o simples deslocamento.

O Bondinho chegou em 1973

Um ano depois da criação do calçadão, outro símbolo apareceu.

Em 1973, um bondinho foi instalado na Rua XV.

A chegada do Bondinho acrescentou mais um símbolo à História da Rua XV de Novembro.

Ele já não tinha função de transporte

O veículo ganhou outro papel.

Sua presença fazia referência ao passado dos bondes que realmente haviam circulado pelas ruas de Curitiba.

Ao mesmo tempo, tornava-se parte do novo espaço destinado aos pedestres.

A história antiga e a nova fase da rua começavam a dividir o mesmo cenário.

O Bondinho ganhou novas funções

Com o passar dos anos, o equipamento foi utilizado de diferentes maneiras.

Informações turísticas.

Atividades para crianças.

Projetos culturais.

Depois surgiu o Bondinho da Leitura

Livros passaram a ocupar o pequeno veículo.

Uma antiga referência ao transporte coletivo transformou-se em espaço de incentivo à leitura.

Poucos objetos representam tão bem a capacidade da Rua XV de reutilizar elementos do passado.

Os edifícios preservam outras épocas

A rua não conta história apenas por seu pavimento.

As fachadas também revelam diferentes períodos.

Construções ecléticas.

Elementos neogóticos.

Art nouveau.

Edifícios modernistas.

Cada prédio pertence a uma camada da cidade

Alguns atravessaram gerações.

Outros desapareceram.

Novas construções ocuparam antigos terrenos.

Caminhar pela Rua XV significa atravessar diferentes momentos arquitetônicos de Curitiba.

O Moreira Garcez mostrou uma cidade crescendo para cima

A verticalização também chegou ao Centro.

O Edifício Moreira Garcez tornou-se uma das referências desse processo.

Foi lembrado durante muito tempo como um dos primeiros grandes edifícios de Curitiba.

A paisagem horizontal começava a mudar

Os antigos sobrados passaram a dividir espaço com construções muito mais altas.

O horizonte urbano ganhou outra forma.

O Centro se tornava mais denso.

E a Rua XV continuava no meio dessa transformação.

O Palácio Avenida virou outro símbolo

Poucos edifícios estão tão associados ao imaginário da Rua XV quanto o Palácio Avenida.

Sua fachada ficou especialmente conhecida pelas apresentações natalinas.

Durante o Natal, a rua muda novamente

Milhares de pessoas podem se reunir no entorno.

O calçadão funciona como uma grande plateia.

A mesma rua utilizada diariamente para comércio e circulação assume função cultural e turística.

Essa flexibilidade ajuda a explicar a força do espaço.

A Boca Maldita criou uma tradição própria

Na região da Avenida Luiz Xavier, a Rua XV também está ligada à famosa Boca Maldita.

O local tornou-se conhecido pelas conversas sobre política, futebol e acontecimentos da cidade.

Opiniões sempre fizeram parte daquele espaço

Pessoas se encontravam.

Debatiam.

Comentavam notícias.

A Boca Maldita transformou a conversa cotidiana em uma verdadeira tradição curitibana.

História da Rua XV de Novembro também é política

A rua recebeu manifestações e grandes encontros públicos.

Um dos episódios mais marcantes aconteceu em 1984.

As Diretas Já ocuparam o calçadão

Milhares de pessoas participaram de um grande comício em Curitiba defendendo eleições diretas para a Presidência da República.

A Rua XV deixou, naquele momento, de ser apenas espaço comercial ou turístico.

Transformou-se em palco de participação democrática.

O calçadão tornou-se espaço de manifestação

A própria configuração favorecia grandes concentrações.

Não havia necessidade de retirar previamente o fluxo normal de automóveis daquele trecho.

O pedestre já era protagonista

Isso permitiu que manifestações políticas, apresentações culturais, campanhas e outros eventos utilizassem a rua ao longo das décadas.

O espaço público demonstrava toda a sua versatilidade.

O comércio não desapareceu com os automóveis

Esse talvez seja um dos maiores ensinamentos da transformação.

Parte da resistência inicial estava baseada na ideia de que sem carros o comércio perderia movimento.

Mas isso não aconteceu da maneira prevista pelos críticos.

Os pedestres continuaram chegando

As vitrines continuaram atraindo consumidores.

Novas lojas apareceram.

Outras desapareceram.

O comércio se adaptou.

A quantidade de pessoas caminhando acabou se tornando uma das maiores características do endereço.

A permanência do comércio também é fundamental para compreender a História da Rua XV de Novembro após a criação do calçadão.

Alguns estabelecimentos atravessaram gerações

Negócios tradicionais preservam outra camada da história.

Bares.

Cafés.

Lojas.

Restaurantes.

Funcionários e clientes também constroem memória

Uma pessoa pode lembrar de uma loja que já desapareceu.

Outra recorda um café.

Alguém trabalhou décadas no mesmo endereço.

Essas experiências dificilmente aparecem em grandes documentos históricos.

Mas fazem parte da cidade.

História da Rua XV de Novembro e sua transformação em cartão-postal

Com o tempo, o calçadão ganhou projeção para além de Curitiba.

Fotografias do petit-pavê, das floreiras, do Bondinho e das fachadas começaram a representar a própria capital paranaense.

A partir dessa consolidação, a História da Rua XV de Novembro passou a se confundir cada vez mais com a própria imagem turística de Curitiba.

Turistas passaram a incluir a rua nos passeios pelo Centro

Para visitantes, ela representa um ponto turístico.

Para moradores, o significado pode ser muito mais pessoal.

Uma infância.

Um encontro.

Uma compra.

Um emprego.

Uma manifestação.

Cada pessoa constrói sua própria Rua XV.

A paisagem continua mudando

Ser histórica não significa permanecer congelada.

Lojas fecham.

Outras abrem.

Fachadas são restauradas.

Edifícios mudam de uso.

A infraestrutura também precisa de manutenção

Petit-pavê precisa ser recuperado.

Iluminação pode ser modernizada.

Mobiliário urbano é substituído.

O Centro recebe novos projetos.

A História da Rua XV de Novembro permanece aberta justamente porque a cidade continua se transformando.

Preservar não significa impedir mudanças

Esse é um dos grandes desafios dos centros históricos.

Se tudo for substituído, a cidade perde referências.

Se nada puder mudar, o espaço pode deixar de funcionar para a população contemporânea.

É necessário conciliar

Patrimônio.

Comércio.

Moradia.

Turismo.

Mobilidade.

Cultura.

A Rua XV precisa responder a todas essas demandas ao mesmo tempo.

O calçadão mudou a maneira de pensar Curitiba

A transformação de 1972 ultrapassou os limites físicos da própria rua.

Ela passou a fazer parte de uma visão urbana que projetaria Curitiba nacional e internacionalmente.

O pedestre entrou no centro do planejamento

Não literalmente apenas no Centro.

Mas também como prioridade de determinadas decisões urbanísticas.

A cidade demonstrava que ruas importantes poderiam funcionar de maneira diferente da lógica baseada exclusivamente nos automóveis.

A rua que recebeu asfalto depois retirou os carros

Existe uma ironia histórica interessante.

Em uma época, modernizar significava asfaltar.

Décadas depois, modernizar aquele mesmo trecho significou retirar os automóveis.

Duas ideias diferentes de progresso

Ambas pertencem à mesma rua.

Isso mostra como os conceitos urbanos mudam.

A cidade de uma geração não possui exatamente as mesmas prioridades da geração seguinte.

A Rua XV registra essas mudanças de maneira particularmente clara.

Da Rua da Imperatriz à Rua XV

Os próprios nomes funcionam como uma linha do tempo.

Rua da Imperatriz.

Depois, Rua XV de Novembro.

E a permanência afetiva de Rua das Flores.

Cada denominação representa uma camada

Monarquia.

República.

Memória urbana.

A placa atual não consegue mostrar tudo isso.

É necessário conhecer a história para enxergar os nomes invisíveis que ainda acompanham a rua.

Dos bondes aos pedestres

A utilização do espaço também conta essa trajetória.

Bondes passaram.

Automóveis ocuparam a pista.

Ônibus circularam pela região.

Então os veículos desapareceram daquele trecho

Os pedestres permaneceram.

Esse processo transformou completamente a experiência do lugar.

Hoje é possível caminhar pelo calçadão sem imaginar que ali existiram trilhos e trânsito de veículos.

A Rua XV funciona como arquivo a céu aberto

Não é necessário entrar em um museu para encontrar sinais históricos.

Basta observar.

O chão possui informações.

As fachadas também.

O Bondinho conta uma história

A Boca Maldita conta outra.

Um estabelecimento antigo acrescenta mais uma.

Uma fotografia mostra aquilo que desapareceu.

A própria rua funciona como documento.

Fotografias antigas revelam outra Curitiba

Comparar imagens históricas e atuais é uma das melhores formas de compreender a transformação.

Onde hoje existem floreiras, já circularam veículos.

Onde pedestres caminham, existiram trilhos.

Alguns prédios continuam reconhecíveis

Outros desapareceram completamente.

A mesma rua parece pertencer a cidades diferentes dependendo da época fotografada.

É justamente isso que torna a comparação tão interessante.

Cada geração conheceu uma Rua XV diferente

Quem nasceu no começo do século XX poderia lembrar dos bondes.

Outra geração conheceu carros circulando pela rua.

Quem viveu 1972 acompanhou o surgimento do calçadão.

Gerações mais novas já encontraram tudo pronto

Para elas, pode parecer que o espaço sempre foi exclusivo dos pedestres.

Essa diferença mostra como mudanças urbanas acabam se tornando naturais com o passar do tempo.

O extraordinário de uma época vira o cotidiano da seguinte.

Por que conhecer a História da Rua XV de Novembro?

Porque sua trajetória permite compreender diferentes fases de Curitiba.

Política.

Transporte.

Comércio.

Arquitetura.

Urbanismo.

Cultura.

Participação popular.

Poucas ruas reúnem tantos temas

Ela mudou de nome.

Recebeu bondes.

Conheceu o asfalto.

Foi ocupada por automóveis.

Transformou-se em calçadão.

Recebeu manifestações históricas.

Tornou-se cartão-postal.

Tudo isso aconteceu no mesmo endereço.

A Rua XV continua no coração de Curitiba

A cidade cresceu para diferentes direções.

Novos bairros surgiram.

Outras centralidades comerciais apareceram.

Shopping centers modificaram hábitos.

A internet mudou a maneira de comprar.

Mesmo assim, a Rua XV continua recebendo pessoas.

Ela permanece como espaço de encontro

Trabalhadores atravessam.

Turistas visitam.

Comerciantes abrem suas portas.

Artistas encontram público.

Moradores caminham.

A rua continua exercendo uma função que atravessa diferentes épocas.

Conclusão

A História da Rua XV de Novembro atravessa diferentes capítulos da formação de Curitiba.

Antes do nome atual, existiram outras referências.

A Rua da Imperatriz pertenceu a outro período político.

A denominação XV de Novembro acompanhou a consolidação da República.

E a expressão Rua das Flores permaneceu viva na memória da cidade.

A rua acompanhou o crescimento do comércio.

Viu sobrados ocuparem suas margens.

Recebeu bondes.

Participou da modernização da pavimentação.

Conviveu com automóveis.

Até que uma decisão tomada em 1972 mudou completamente sua trajetória.

Em vez de aumentar o espaço destinado aos carros, Curitiba decidiu transformá-la em uma área exclusiva para pedestres.

A resistência existiu.

Comerciantes temiam prejuízos.

A mudança parecia arriscada.

Mas o projeto avançou.

O petit-pavê apareceu.

Floreiras ocuparam o espaço.

Bancos convidaram as pessoas a permanecer.

E o calçadão se tornou um dos símbolos mais conhecidos da cidade.

Depois vieram outras camadas.

O Bondinho.

A Boca Maldita.

Os edifícios históricos.

As apresentações culturais.

O comércio de diferentes gerações.

As manifestações políticas.

Em 1984, milhares de pessoas ocuparam a região durante as Diretas Já.

Mais uma vez, a Rua XV mostrava que podia ser muito mais do que um lugar para caminhar.

Ela era espaço público.

Espaço comercial.

Espaço cultural.

Espaço político.

Espaço de memória.

Hoje, quem percorre o calçadão encontra uma paisagem que parece consolidada.

Mas quase tudo ali foi resultado de escolhas.

O nome.

O pavimento.

A retirada dos automóveis.

As floreiras.

O mobiliário.

A preservação de determinadas fachadas.

Cada decisão acrescentou uma camada.

Por isso, conhecer a História da Rua XV de Novembro é descobrir várias Curitibas sobrepostas no mesmo endereço.

A Curitiba da Rua da Imperatriz.

A cidade dos bondes.

A Curitiba dos primeiros automóveis.

A cidade que experimentou o asfalto.

A Curitiba que decidiu devolver uma rua às pessoas.

E a cidade contemporânea, que continua caminhando por esse mesmo espaço enquanto acrescenta novas histórias.

A Rua XV mudou muitas vezes.

Mas talvez seja justamente essa capacidade de mudar sem perder sua identidade que explique por que ela continua ocupando um lugar tão importante no coração de Curitiba.

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