Quem caminha atualmente pela Rua Barão do Rio Branco, no Centro de Curitiba, talvez não imagine a importância que essa via teve para o desenvolvimento da capital paranaense.
Muito antes de o Centro Cívico concentrar órgãos públicos, essa região reunia instituições políticas, hotéis, estabelecimentos comerciais e um intenso movimento de pessoas que chegavam à cidade pela ferrovia.
A História da Rua Barão do Rio Branco está diretamente relacionada a esse período de transformação.
A antiga Estação Ferroviária ajudou a modificar completamente seu entorno. O crescimento comercial acompanhou a chegada dos viajantes, edifícios públicos foram construídos e a rua acabou se tornando um dos principais eixos políticos e econômicos de Curitiba.
Antes de receber o nome atual, porém, ela teve outras denominações.
Foi Travessa Leitner.
Passou a ser chamada de Rua da Liberdade.
E somente em 1912 recebeu definitivamente o nome de Rua Barão do Rio Branco.
Ao longo dessa trajetória, a via acompanhou uma Curitiba que crescia para além de seu antigo núcleo urbano e começava a adquirir características de uma capital moderna.
Conhecer essa história significa descobrir como ferrovia, política, comércio e planejamento urbano ajudaram a transformar uma antiga passagem em um dos endereços mais importantes da cidade.
História da Rua Barão do Rio Branco começa antes do nome atual
A via que conhecemos hoje como Rua Barão do Rio Branco passou por diferentes denominações.
Em uma fase inicial, parte desse caminho era conhecida como Travessa Leitner.
Ela funcionava como continuação da atual Rua Riachuelo e avançava em direção a uma área que, durante boa parte do século XIX, ainda possuía poucas construções.
Curitiba estava concentrada principalmente em torno de seu núcleo mais antigo.
A região próxima à atual Praça Eufrásio Correia apresentava uma paisagem bastante diferente.
Havia terrenos pouco ocupados e áreas que ainda precisavam ser incorporadas ao crescimento urbano.
Isso começaria a mudar de maneira decisiva com um dos maiores projetos de infraestrutura realizados no Paraná naquele período.
A ferrovia mudou o destino da região
A construção da estrada de ferro ligando Curitiba a Paranaguá teve enorme impacto sobre a cidade.
A Estação Ferroviária foi inaugurada em 1885.
Sua localização, porém, ficava afastada do núcleo urbano mais consolidado.
Era necessário criar uma ligação eficiente entre a estação e o centro da cidade.
Essa necessidade ajudou a transformar a antiga passagem em um eixo estratégico.
A História da Rua Barão do Rio Branco está, portanto, profundamente relacionada à chegada da ferrovia.
A estação criou um novo caminho para Curitiba
Imagine desembarcar de um trem em Curitiba no final do século XIX.
Ao sair da estação, o viajante precisava seguir em direção à parte mais movimentada da cidade.
A rua localizada diante daquele complexo ferroviário tornou-se naturalmente uma das principais rotas.
Quanto mais passageiros chegavam, maior era o movimento.
E quanto maior o movimento, mais interessante aquela região se tornava para comerciantes e investidores.
A ferrovia não transportava apenas pessoas e mercadorias.
Ela também ajudava a reorganizar a cidade.
De Travessa Leitner para Rua da Liberdade
Antes de receber o nome atual, a via passou por outras mudanças.
A antiga Travessa Leitner chegou a receber a denominação Dr. Trajano em 1883.
Poucos anos depois, em abril de 1890, passou a se chamar Rua da Liberdade.
O novo nome surgiu em um período de profundas mudanças políticas no Brasil.
A República havia sido proclamada poucos meses antes.
Palavras relacionadas à nova ordem política passaram a ocupar ruas, praças e outros espaços públicos.
A liberdade era uma dessas referências.
Rua da Liberdade se tornou um endereço importante
O crescimento não demorou.
A proximidade com a estação atraía viajantes.
Hotéis começaram a se instalar na região.
Estabelecimentos comerciais encontraram um fluxo constante de consumidores.
Instituições públicas também passaram a ocupar a via.
A antiga Rua da Liberdade estava deixando de ser apenas uma ligação entre dois pontos.
Ela começava a se transformar em uma das áreas mais importantes de Curitiba.
História da Rua Barão do Rio Branco e a expansão planejada da cidade
A ferrovia também provocou mudanças no planejamento urbano.
O engenheiro italiano Ernesto Guaita teve papel importante nesse processo.
A partir do eixo que ligava o núcleo urbano à estação, foram traçadas ruas paralelas e perpendiculares, formando novas quadras.
Esse projeto ficou conhecido como Nova Corityba.
A expansão representou uma das primeiras tentativas de organizar de maneira planejada o crescimento da cidade.
Em vez de novas ruas surgirem apenas de forma espontânea, existia uma lógica de ocupação.
A atual Barão do Rio Branco serviu como um dos eixos fundamentais dessa organização.
A estação impulsionou hotéis e comércio
A chegada diária de viajantes criou novas oportunidades econômicas.
Quem desembarcava precisava de hospedagem.
Alimentação.
Transporte.
Serviços.
Comércio.
Hotéis começaram a aparecer no entorno da estação e ao longo da Rua da Liberdade.
Entre os estabelecimentos lembrados nos registros históricos estão hotéis como o Jonscher e o Tassy.
A rua passou a receber pessoas de diferentes regiões.
Uma porta de entrada para Curitiba
Durante décadas, chegar de trem significava ter uma das primeiras experiências com Curitiba justamente naquela região.
O visitante desembarcava na estação.
Encontrava a Praça Eufrásio Correia.
E seguia pela Rua da Liberdade em direção ao Centro.
A rua funcionava quase como um corredor de entrada da capital.
Esse movimento ajudou a valorizar os terrenos e estimulou novas construções.
A Praça Eufrásio Correia também mudou
A área diante da estação ferroviária passou por profundas transformações.
Antes da urbanização, o local era conhecido como Potreiro do Conselho.
A paisagem era pouco ocupada.
Com a implantação da ferrovia, entretanto, a região precisou ser preparada para receber um fluxo muito maior de pessoas.
A praça tornou-se parte fundamental dessa nova entrada da cidade.
Até uma onça apareceu durante as obras
Existe uma curiosidade registrada sobre o período de urbanização da região.
Depois da inauguração da estação, ainda existiam problemas sérios de infraestrutura.
A rua podia ficar praticamente intransitável em dias de chuva.
Durante trabalhos de aterramento realizados na região, uma equipe de operários chegou a ser surpreendida por uma onça.
O episódio não teria deixado feridos.
Hoje, cercado por edifícios, comércio e tráfego urbano, é difícil imaginar um animal desse porte aparecendo nas proximidades da atual Praça Eufrásio Correia.
Mas a história mostra o quanto aquela região ainda estava em processo de ocupação.
O Palácio do Congresso mudou a importância da rua
Enquanto a ferrovia fortalecia a atividade econômica, outra transformação aumentava a importância política da via.
Entre 1891 e 1895, foi construído um edifício destinado ao Poder Legislativo Estadual.
Inicialmente chamado de Palácio do Congresso, o prédio se tornaria posteriormente conhecido como Palácio Rio Branco.
Seu projeto ficou sob responsabilidade de Ernesto Guaita.
A construção representava uma nova fase para aquela parte da cidade.
Agora, além de viajantes, hotéis e comércio, a rua recebia uma das principais instituições políticas do Paraná.
O poder público começou a ocupar o eixo
Outros edifícios institucionais também reforçaram essa característica.
O Palácio do Governo funcionou na região.
A Assembleia Legislativa estava instalada ali.
O poder municipal também mantinha instituições próximas.
Gradualmente, formou-se uma concentração administrativa que transformou a área em uma espécie de centro político de Curitiba.
Muito antes do atual Centro Cívico existir, o poder estava concentrado nessa parte do Centro.
História da Rua Barão do Rio Branco e o antigo Corredor do Poder
Essa concentração de instituições deu origem a uma das características mais interessantes da rua.
Ela passou a ser lembrada como Rua do Poder ou como parte do antigo eixo cívico da cidade.
A denominação fazia sentido.
Quem percorresse aquela região encontraria importantes instituições políticas a pouca distância umas das outras.
A Assembleia Legislativa.
O Governo do Estado.
A administração municipal nas proximidades.
A política paranaense estava presente nas fachadas.
Curitiba possuía um Centro Cívico antes do Centro Cívico
Hoje, quando alguém fala em Centro Cívico, imediatamente pensamos no bairro onde estão o Palácio Iguaçu, a Assembleia Legislativa e outros órgãos públicos.
Mas essa concentração é posterior.
Antes dela, a região da Rua Barão do Rio Branco exercia função semelhante.
Era ali que parte importante da administração pública estava instalada.
Por isso, historiadores e pesquisadores frequentemente se referem à região como o antigo Centro Cívico de Curitiba.
Por que a Rua da Liberdade mudou de nome?
A mudança aconteceu em 10 de fevereiro de 1912.
Naquele dia morreu José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.
Diplomata, político e historiador, ele ficou conhecido principalmente por sua atuação na política externa brasileira.
Sua importância foi tamanha que acabou reconhecido como patrono da diplomacia brasileira.
Curitiba decidiu homenageá-lo imediatamente.
A Rua da Liberdade virou Barão do Rio Branco
No mesmo dia da morte do diplomata, os vereadores curitibanos reuniram-se extraordinariamente.
O objetivo era deliberar sobre uma homenagem.
O Decreto nº 47 oficializou a mudança.
A antiga Rua da Liberdade passava a se chamar:
Rua Barão do Rio Branco.
A denominação permanece até hoje.
Outra via central que também passou a representar a nova ordem republicana foi a Rua Marechal Deodoro, cuja história acompanha importantes transformações políticas e urbanas de Curitiba.
Quem foi o Barão do Rio Branco?
José Maria da Silva Paranhos Júnior nasceu em 1845.
Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma das figuras mais importantes da diplomacia brasileira.
Sua atuação esteve especialmente ligada às questões de fronteira.
Por meio de negociações e arbitramentos internacionais, participou da definição de limites territoriais do Brasil.
Para o Paraná, uma dessas questões possui importância especial.
A Questão de Palmas aproximou Rio Branco do Paraná
Uma disputa territorial envolvia Brasil e Argentina.
A área reivindicada abrangia regiões que atualmente pertencem aos estados do Paraná e de Santa Catarina.
Rio Branco atuou na defesa da posição brasileira.
A decisão arbitral foi favorável ao Brasil.
Esse episódio, conhecido como Questão de Palmas, ajudou a fortalecer sua imagem também no Paraná.
Assim, colocar seu nome em uma importante rua de Curitiba possuía um significado ainda mais próximo da história regional.
A História da Rua Barão do Rio Branco continuou ligada à política
A mudança de nome não alterou a função política que a região já havia adquirido.
O Palácio do Congresso continuou funcionando.
Outras instituições permaneceram próximas.
O eixo ainda reunia poder administrativo e atividade econômica.
Durante décadas, decisões importantes para o Paraná foram tomadas em edifícios localizados naquela área.
O Palácio Rio Branco atravessou diferentes fases
O edifício que havia sido construído para o Legislativo estadual permaneceu nessa função durante décadas.
Até 1957, deputados estaduais trabalharam no local.
Naquele ano, a Assembleia Legislativa transferiu suas atividades para o novo Centro Cívico.
A mudança representava uma transformação importante.
O antigo eixo político começava a perder algumas de suas funções originais.
Mas o prédio não ficaria sem atividade pública.
A Câmara Municipal chegou ao Palácio Rio Branco
Em 1963, o edifício ganhou uma nova função institucional.
A Câmara Municipal de Curitiba passou a ocupar o Palácio Rio Branco.
Desde então, vereadores se reúnem no local para discutir e votar projetos relacionados à cidade.
O edifício que havia sido construído para receber parlamentares estaduais passou a abrigar os representantes municipais.
Assim, mesmo depois da transferência de grande parte do poder para o Centro Cívico, a rua continuou ligada à política.
O Palácio preserva a memória arquitetônica
Além de sua importância institucional, o edifício possui grande valor arquitetônico.
Sua linguagem apresenta características ecléticas de inspiração clássica.
O prédio foi construído em alvenaria e possui dois pavimentos e porão.
Em 1978, seu valor histórico e cultural foi reconhecido oficialmente por meio do tombamento estadual.
Preservar o edifício significa manter um dos principais registros físicos da antiga função política da rua.
A antiga sede do Governo também permaneceu na paisagem
Outro edifício importante daquele eixo foi o antigo Palácio do Governo.
A construção posteriormente passou a abrigar o Museu da Imagem e do Som do Paraná.
Essa mudança de função é bastante simbólica.
Um prédio associado ao poder político passou a preservar memória cultural.
A arquitetura permaneceu.
O uso mudou.
Comércio e política conviviam lado a lado
Uma das características mais interessantes da História da Rua Barão do Rio Branco é justamente essa mistura.
Não era uma área exclusivamente administrativa.
Também não era somente comercial.
As duas funções conviviam.
Funcionários públicos circulavam.
Viajantes chegavam pela estação.
Hóspedes entravam nos hotéis.
Consumidores frequentavam lojas.
Políticos atravessavam a região.
A diversidade de usos ajudava a manter a rua movimentada.
Os hotéis ajudavam a contar outra história
Os antigos hotéis merecem atenção porque mostram como a ferrovia modificou o cotidiano.
Antes dos transportes rodoviário e aéreo adquirirem a importância atual, o trem era fundamental para viagens de longa distância.
Quem chegava a Curitiba frequentemente precisava permanecer na cidade.
Hospedagens próximas à estação tinham, portanto, localização privilegiada.
A Rua da Liberdade tornou-se endereço natural para esse tipo de empreendimento.
A ferrovia transportava mais do que passageiros
A Estação Ferroviária também tinha importância econômica.
Produtos circulavam pelos trilhos.
Erva-mate.
Madeira.
Café.
Outras mercadorias.
A ferrovia ajudava a conectar Curitiba ao litoral e a outros mercados.
Esse movimento influenciava negócios e estimulava o crescimento urbano ao redor da estação.
A História da Rua Barão do Rio Branco não pode ser separada desse processo.
A cidade cresceu em direção à estação
Antes da ferrovia, existia uma distância entre o núcleo urbano e a área escolhida para a estação.
Com o tempo, essa distância foi preenchida.
Novas quadras surgiram.
Construções apareceram.
Comércio se instalou.
Serviços acompanharam.
A expansão transformou uma região pouco ocupada em parte integrante do Centro.
A rua funcionou como eixo dessa aproximação.
Uma nova Curitiba surgiu ao redor da via
O crescimento não significou apenas construir casas.
A própria estrutura urbana estava mudando.
Ruas mais organizadas.
Quadras planejadas.
Novos edifícios públicos.
Hotéis.
Comércio.
Infraestrutura.
A Curitiba do final do século XIX começava a adquirir uma aparência diferente.
A antiga Rua da Liberdade estava no centro dessa transformação.
Bondes também fizeram parte dessa paisagem
O desenvolvimento dos transportes urbanos acrescentou outro elemento.
Bondes passaram a integrar o cotidiano da área central.
A proximidade da estação e o movimento comercial faziam daquela região um ponto estratégico para circulação.
É difícil imaginar atualmente a combinação de ferrovia, bondes, hotéis e palácios públicos funcionando tão próximos.
Mas durante parte do século XX esses elementos fizeram parte da mesma paisagem urbana.
A rua acompanhou a modernização de Curitiba
Novas tecnologias começaram a modificar a cidade.
Eletricidade.
Transportes motorizados.
Telefonia.
Automóveis.
Novos métodos construtivos.
Edifícios maiores.
A rua acompanhava essas mudanças.
O cenário do final do século XIX não seria o mesmo encontrado algumas décadas depois.
História da Rua Barão do Rio Branco e a transferência do poder
Uma das maiores mudanças aconteceu quando Curitiba decidiu construir um novo espaço para concentrar órgãos públicos.
Nas décadas seguintes, o Centro Cívico assumiu essa função.
A Assembleia Legislativa deixou o Palácio Rio Branco em 1957.
Outras estruturas governamentais também foram transferidas.
A Rua Barão do Rio Branco perdeu parte da concentração política que havia justificado sua fama de Rua do Poder.
Mas sua história permaneceu gravada nos edifícios.
O antigo Corredor do Poder ganhou novas funções
A cidade muda.
E as ruas precisam se adaptar.
Edifícios originalmente construídos para uma finalidade podem receber outra.
Comércios desaparecem.
Novos negócios chegam.
Hotéis mudam de função.
Instituições se transferem.
A Rua Barão do Rio Branco atravessou todas essas mudanças.
O antigo centro político passou a conviver com novas atividades.
A Estação Ferroviária também mudou
O transporte ferroviário de passageiros perdeu a importância que possuía anteriormente.
A antiga estação deixou de exercer a mesma função de porta de entrada da cidade.
Posteriormente, o complexo ferroviário passou por novos usos e foi incorporado à paisagem contemporânea do Centro.
Mas o edifício histórico continua sendo uma referência fundamental para entender por que aquela região cresceu.
Sem a ferrovia, a trajetória da rua provavelmente teria sido muito diferente.
A Praça Eufrásio Correia continua sendo uma referência
Diante da antiga estação, a praça permanece como outro ponto importante da paisagem.
Quem observa fotografias antigas percebe imediatamente as transformações.
Veículos mudaram.
Edifícios apareceram.
Árvores cresceram.
Usos foram alterados.
Mas a relação entre praça, estação e Rua Barão do Rio Branco continua permitindo uma leitura histórica da região.
O passado ainda pode ser observado caminhando pela rua
Uma das vantagens de estudar a história urbana é descobrir que muitos documentos permanecem diante de nós.
O Palácio Rio Branco é um deles.
A antiga sede do Governo é outro.
A Praça Eufrásio Correia acrescenta mais uma camada.
A antiga Estação Ferroviária completa parte desse conjunto.
Esses lugares permitem reconstruir mentalmente a Curitiba de outras épocas.
História da Rua Barão do Rio Branco está escrita nos edifícios
Cada construção histórica possui uma função na narrativa.
Uma fala sobre política.
Outra sobre transporte.
Outra sobre hospedagem.
Outra sobre comércio.
Quando observadas em conjunto, elas revelam por que a rua foi tão importante.
Não se trata apenas de preservar prédios bonitos.
Trata-se de compreender as relações que existiam entre eles.
Uma rua pode revelar como uma cidade cresceu
A Barão do Rio Branco oferece um ótimo exemplo.
Primeiro existia uma área pouco ocupada.
Depois surgiu a ferrovia.
Foi necessário criar uma ligação eficiente com o núcleo urbano.
A rua ganhou movimento.
Comércio apareceu.
Hotéis foram construídos.
Órgãos públicos se instalaram.
Novas quadras surgiram.
A cidade ocupou o espaço intermediário.
Em poucas décadas, a paisagem mudou completamente.
Da Travessa Leitner ao Corredor do Poder
Os nomes ajudam a resumir essa transformação.
Travessa Leitner.
Depois, Dr. Trajano.
Em seguida, Rua da Liberdade.
Finalmente, Rua Barão do Rio Branco.
Enquanto os nomes mudavam, a importância da via aumentava.
Aquilo que começou como uma passagem acabou se tornando um dos principais eixos políticos e comerciais de Curitiba.
A Rua da Liberdade ainda existe na memória
Embora a denominação tenha desaparecido das placas em 1912, ela permanece nos documentos históricos.
Conhecer o antigo nome ajuda a compreender melhor fotografias, mapas e textos de época.
Quando um documento menciona a Rua da Liberdade, o leitor atual pode não perceber imediatamente que está diante da atual Barão do Rio Branco.
Por isso, recuperar nomes antigos é parte importante da preservação da memória urbana.
A Barão do Rio Branco atual guarda várias Curitibas
Quem caminha pela rua hoje encontra uma cidade contemporânea.
Automóveis.
Ônibus.
Comércio.
Pedestres.
Edifícios de diferentes épocas.
Mas existem outras cidades escondidas naquela paisagem.
A Curitiba da ferrovia recém-inaugurada.
A Curitiba dos hotéis.
A cidade dos bondes.
A Curitiba do antigo Palácio do Congresso.
A cidade em que o Governo e o Legislativo estavam concentrados naquela região.
Todas ocupam o mesmo espaço.
Por que conhecer a História da Rua Barão do Rio Branco?
Porque essa rua ajuda a explicar como Curitiba deixou de ser um núcleo urbano relativamente pequeno e começou a se expandir de maneira mais organizada.
A ferrovia criou uma nova centralidade.
O planejamento urbano conectou a estação ao Centro.
O comércio acompanhou o movimento.
Instituições públicas reforçaram a importância da região.
A política transformou a rua em eixo do poder.
E mudanças posteriores transferiram parte dessas funções para outras regiões da cidade.
Poucos endereços permitem observar tantos processos ao mesmo tempo.
História da Rua Barão do Rio Branco e a memória de Curitiba
Preservar essa história não significa imaginar que a rua deveria permanecer exatamente como era no século XIX.
Cidades precisam mudar.
O importante é não permitir que as transformações apaguem completamente aquilo que existiu antes.
Edifícios preservados ajudam.
Fotografias ajudam.
Documentos ajudam.
Pesquisas históricas também.
Mas conhecer a história é igualmente importante.
Um prédio pode continuar em pé durante décadas e ainda assim perder seu significado se ninguém souber por que ele está ali.
O Palácio Rio Branco mantém viva a função pública
Nesse sentido, o Palácio Rio Branco possui uma característica especial.
Ele não funciona apenas como monumento.
Continua sendo utilizado.
Desde 1963, abriga a Câmara Municipal de Curitiba.
As discussões políticas continuam acontecendo dentro de um edifício que já foi cenário da política estadual.
O nível de governo mudou.
A função pública permaneceu.
A rua continua conectando diferentes momentos
Talvez essa seja uma das características mais interessantes da Barão do Rio Branco.
Ela conecta lugares fisicamente.
Mas também conecta épocas.
De um lado está a memória ferroviária.
Ao longo do caminho aparecem construções relacionadas ao comércio e ao poder público.
Mais adiante, o traçado se aproxima de outras ruas históricas do Centro.
Percorrer esse eixo é quase acompanhar uma linha do tempo urbana.
O antigo Centro Cívico não desapareceu completamente
O poder político mudou de endereço.
Mas os edifícios permaneceram.
Por isso, ainda é possível compreender a lógica daquele antigo centro administrativo.
O Palácio Rio Branco ajuda a visualizar essa configuração.
Outros imóveis históricos complementam a paisagem.
O atual Centro Cívico representa outra fase da cidade.
A Rua Barão do Rio Branco preserva parte da fase anterior.
Conclusão: História da Rua Barão do Rio Branco e o antigo coração político de Curitiba
A História da Rua Barão do Rio Branco é uma das melhores formas de compreender a transformação de Curitiba entre o final do século XIX e o século XX.
A via nem sempre teve o nome atual.
Foi conhecida como Travessa Leitner.
Recebeu a denominação Dr. Trajano.
Em 1890 tornou-se Rua da Liberdade.
E, em 10 de fevereiro de 1912, recebeu o nome de Rua Barão do Rio Branco em homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, morto naquele mesmo dia.
Mas as mudanças de nome são apenas uma parte da história.
A construção da ferrovia Curitiba-Paranaguá e a inauguração da Estação Ferroviária, em 1885, modificaram profundamente a região.
A cidade precisava se conectar à estação.
O eixo ganhou importância.
Hotéis apareceram.
Comércios se desenvolveram.
Viajantes passaram a circular diariamente.
Novas quadras foram planejadas.
Curitiba começou a crescer de maneira organizada em direção à ferrovia.
Ao mesmo tempo, instituições públicas escolheram aquela região.
O Palácio do Congresso foi construído.
O Governo do Estado ocupou outro edifício próximo.
A administração municipal também estava presente na área central.
A antiga Rua da Liberdade transformou-se em um verdadeiro eixo político.
Muito antes da construção do atual Centro Cívico, Curitiba já possuía ali uma concentração de poder.
Por isso, a região ficou conhecida como Rua do Poder e é lembrada como parte do antigo Centro Cívico da capital.
Depois, a cidade mudou novamente.
A Assembleia Legislativa foi transferida em 1957.
Novos edifícios governamentais surgiram no Centro Cívico.
A ferrovia perdeu parte de sua antiga função de transporte de passageiros.
Hotéis desapareceram ou mudaram.
O comércio se transformou.
Mas os vestígios permaneceram.
O Palácio Rio Branco continua na rua e, desde 1963, abriga a Câmara Municipal.
A antiga estação ainda ajuda a contar a história da ferrovia.
A Praça Eufrásio Correia permanece como referência.
Outros edifícios guardam diferentes períodos da arquitetura e da vida pública curitibana.
Por isso, caminhar pela Rua Barão do Rio Branco significa atravessar várias versões de Curitiba.
A cidade pouco ocupada próxima ao antigo Potreiro do Conselho.
A Curitiba que recebeu a ferrovia.
A cidade dos hotéis e viajantes.
A Curitiba da Rua da Liberdade.
O antigo centro político.
A capital que transferiu seus poderes para o Centro Cívico.
E a Curitiba contemporânea.
Todas essas fases estão reunidas no mesmo endereço.
Conhecer a História da Rua Barão do Rio Branco permite perceber que uma rua aparentemente comum pode guardar decisões políticas, projetos urbanos, mudanças econômicas e transformações que ajudaram a definir o crescimento de uma cidade inteira.
O antigo Corredor do Poder perdeu parte de sua função original.
Mas não perdeu sua história.
E seus edifícios continuam lembrando que, antes de o poder público subir em direção ao atual Centro Cívico, uma parte fundamental da vida política, econômica e urbana de Curitiba passava pela Rua Barão do Rio Branco.

Rafael Gomes é autor e responsável pelo Open Content View, projeto dedicado à pesquisa e divulgação da memória urbana de Curitiba. Escreve sobre a história das ruas, bairros, personagens e transformações que ajudaram a construir a cidade. Os conteúdos são desenvolvidos a partir da consulta a fontes públicas, registros históricos e materiais de referência relacionados a Curitiba e ao Paraná.